O sentido da vida

Elis Radmann, cientista social e socióloga.

Semanalmente escrevo sobre resultados de pesquisas realizadas pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião. Nessa jornada, em que compartilho a informação, escrevo muito SOBRE as pessoas e pouco PARA as pessoas.

É a primeira vez que escrevo publicamente sobre o SENTIDO DA VIDA e estou relatando o ângulo de visão de uma socióloga pesquisadora que gasta o seu tempo estudando o comportamento e as atuais inquietações da sociedade.

A maioria das pessoas está procurando o sentido da vida, ou melhor, o sentido para sua vida. Essa questão existencial não aparece diretamente nas entrevistas, ela sempre é tratada em relatos associados a DECEPÇÕES ou a EXPECTATIVAS.

Analisando diferentes depoimentos, é comum verificar a existência de um ciclo vicioso que tem relação com expectativas altas que viram decepções e levam muitas pessoas a reclamarem do sentido da vida ou a afirmarem que “a vida não tem sentido”.

Via de regra, o fluxo é o seguinte:
a) Sonham, idealizam. Pode ser sobre qualquer tipo de tema, relacionamentos pessoais, trabalho, desejo de adquirir um bem ou melhorar a estética;
b) Pela motivação, crença, fé ou cobiça, são estimulados a acreditar;
c) Estabelecem objetivos que, em muitos casos, são frágeis ou não levam em consideração uma experiência maior sobre o tema;
d) Tentam fazer um plano de ação, um planejamento para alcançar o que querem. Em alguns casos, não há uma reflexão sobre a viabilidade do objetivo;
e) Encontram obstáculos pela frente;
f) Se frustram quando não alcançam o que querem ou da forma como queriam;
g) Reclamam da vida e muitas vezes não voltam a persistir;
h) Passam a achar um culpado, a se posicionar como vítima de uma situação.

Esse tipo de ciclo vicioso comportamental é mais comum em pessoas com alto índice de individualismo, que estão mais isoladas em si mesmas ou que não sabem trabalhar em parceria. Estas pessoas podem ser classificadas como ansiosas, estressadas ou até desleixadas. É muito fácil achar um nome técnico para tudo. Mas, antes de julgarmos, é melhor recontextualizarmos o sentido da vida e refletirmos se temos a capacidade de diminuir o nível de individualismo e transformar ciclos viciosos em ciclos virtuosos?

a) Sonhar é preciso, mas não podemos fazer dos sonhos, nossos senhores;
b) Todo objetivo precisa estar acompanhado de uma avaliação, de uma escuta ativa dos oráculos que a vida nos oferece (pessoas experientes, familiares, amigos);
c) É preciso pensar no caminho e ter a clareza de que todo o caminho tem percalços, que podemos cair a qualquer momento;
d) Saber que levantar é preciso e persistir sempre, sabendo que não há culpados, mas há responsabilidades a serem reavaliadas;
f) Aprender com cada experiência. Depositar as vivências negativas em uma caixa, para serem consultadas apenas como bússolas de orientação para que não aconteçam novamente. As vivências positivas devem estar sempre no nosso campo de visão, para que possam servir como combustível de motivação ou serem compartilhadas com novos parceiros de jornada.

O sentido da vida é algo muito pessoal, cada um pode olhar para aquilo que lhe faz mais sentido, mas sempre com gratidão!

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