O melhor jeito de iniciar 2023

Manoel Jesus, educador. (Foto: Divulgação)

A semana entre as celebrações do Natal e a virada do ano, comumente chamada de Semana Natalina, fecha um ciclo. Possibilidade de aliviar, nem que seja por pouco tempo, o estresse de algumas atividades. Fazer as contas do que se conseguiu neste que não foi o melhor dos anos – problemas na economia, na política, os fantasmas da pandemia ainda rondando por aí… Porém, pode – e deve – propiciar reencontros, boas lembranças e a certeza de que a vida sempre dá uma nova oportunidade.

Meu último texto do ano pretende ser um alerta. Sei bem que grande parte dos leitores é consciente dos excessos que se cometem. No entanto, não custa lembrar: costumo dizer que, hoje, não bebo nada de álcool, nem vinho de Missa, porque nesta encarnação, creio, já bebi todas. Nove anos sem álcool não me levam às tropas daqueles que se posicionam contra o seu consumo. Esta é uma “conversão” que precisa ser pessoal. Uma tomada de decisão, normalmente num momento de tensão e de algum sofrimento.

O que me preocupa é o consumo de álcool por menores, inclusive criança, nestes dias. Das coisas mais simples, como o vinho batizando a água, como se refresco fosse, e ajudando a dormir, até: “alguns golinhos de cerveja não fazem mal algum”. O primeiro passo para a dependência não acontece na juventude, como muitos acreditam, com as festas e baladas. A tolerância em casa por pais que muitas vezes também consomem, com a explicação de que “eu paro quando quiser”, são o primeiro e mais forte exemplo.

Seguem a necessidade de aceitação social e teste dos próprios limites e se encontram as razões mais comuns para o consumo precoce do álcool e do fumo, as chamadas drogas lícitas. Estranhamente, as meninas, em 2022, aumentaram o consumo a mais que os meninos, chegando a patamares próximos: uma em cada quatro das que participaram de pesquisa do IBGE disseram consumir regularmente. E vejam que pesquisas assim dificilmente não estão mascaradas pela vergonha de reconhecer a dependência.

Em conversa com amigos, de mais do que um, ouvi que somente se sentiram adultos, maduros, quando abriram mão de alguma coisa em favor dos filhos. Foi quando se deram conta de que seus pais fizeram exatamente o mesmo, por toda uma vida, sem que reconhecessem ou agradecessem… Por ilação, pode-se tirar para quem assumiu o cuidado dos pais, de algum familiar ou amigo, em questões de saúde, especialmente. É um longo tempo de redimensionar valores, sentido das pequenas e das grandes coisas.

Amigo e amiga, faço um brinde à vida: Tim-Tim! Se achar necessário, consuma alguma bebida. Sem perder a noção de quem está sob seus cuidados. São tantos os costumes que marcam a espera – roupa nova, casa limpa, troca de presente que não se deu no Natal – que não se deve iniciar o ano com a sensação de ressaca… Será fácil? Não, mas não desista. Tem alguém ao seu lado que o faz feliz? Então, sorria, abrace, beije, seja o motivo de esperança de quem não desistiu de você. Tem jeito melhor de iniciar 2023?

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