As bandas
Se há uma banda que definiu o padrão de excelência em Pelotas e no país nos anos 70 e 80, foi a do Gonzaga. Digo isso, mas sempre fui rival! Inspirada originalmente nos Fuzileiros Navais, a banda passou por uma revolução estética e musical em 1971 quando adotaram o icônico uniforme no estilo da guarda real britânica, túnicas vermelhas, calças pretas e o tradicional chapéu alto de pele de urso. O impacto visual na avenida era estrondoso.
O Tricampeonato Nacional sob o comando do inesquecível Mor Carlos Roberto Mansur o “Chuteca” e a regência musical do Maestro Mota – Manoel Motta Dias, fez com que a banda conquistasse o Brasil. Eles se sagraram tricampeões nacionais de Bandas e Fanfarras em São Paulo nos anos de 1972, 1973 e 1975.
O Maestro Mota, trazia no repertório dobrados do compositor americano John Philip Sousa. A execução acelerada e cheia de energia construía uma espécie de campo vibracional que fazia o público acompanhar a banda vibrando pelas ruas centrais.
A Banda Marcial da Escola Técnica Federal de Pelotas, do Mor Ronaldo, do professor Dirceu, do Maestro Luz, do Ademir, do Jojoca/Cabeça, do Ricardo no bombo, do Carlos Tim, o Bahia e o Gino no Sax, o Gladimir no Surdo, os irmãos Madeira, do Benitez, do Dagê, do Claudinho, do Dada e também a minha banda.
A “Escola Técnica” mantinha uma das bandas mais potentes e queridas da cidade. Nas décadas de 70 e 80, a música virou um pilar de identidade para os estudantes. O som pesado dos metais e a precisão da percussão eram marcas registradas. A banda gerava um sentimento de pertencimento sem precedentes entre os alunos e rivalizava diretamente com o Gonzaga em termos de torcida e aclamação popular nos desfiles da Bento.
A sempre lembrada Banda do Colégio Pelotense o “Gato Pelado” com linhas de frente coreografadas com balizas que encantavam a cidade. A banda do Colégio Agrícola Visconde da Graça comandada pelo Cabral como Mor.
Cada escola tinha seu próprio “toque de caixa”, o ritmo característico da percussão que os pelotenses reconheciam de longe, só de ouvir o eco vindo da avenida
Cabe lembrar que a grande maioria das escolas tinha sua própria banda, citamos aqui apenas algumas.
As boates
Pelotas foi a melhor cidade do mundo para diversas gerações, por isso, cada uma delas se atreve a dizer: “no meu tempo foi melhor”, então, passo a falar para aqueles que conheceram a Baiuca na rua Marechal Floriano em frente ao restaurante Gago. A Baiuca (geralmente lembrada como A Baiuca ou Baiuca Bar) foi um dos bares e redutos boêmios mais icônicos da cidade entre as décadas de 1970 e 1980.
Diferente das grandes discotecas da época que focavam nas pistas de dança e no som pop internacional, a Baiuca tinha uma proposta muito mais voltada para a boemia clássica, a intelectualidade e a MPB Música Popular Brasileira. Por ter seu auge durante os anos 1970, o período mais duro da ditadura militar no Brasil, locais como a Baiuca funcionavam como uma espécie de “refúgio” para quem buscava respirar arte e liberdade.
Apenas para lembrar algumas das boates que viviam lotadas na noite pelotense, Aquarius, Monte Carlo, Tillas Disco Clube, Magnólia, Metrô, Manta, Hipopótamos, Teatro Avenida, Leiga, Direito, da Odonto, Verdes Anos, Privê Vira Volta, Palátium, Estúdio 466, Tropicana, Emoções, Rockstar, Café do Brasil e outras, porém a lista seria muito maior se incluíssemos os salões de bailes da colônia, assim como dos clubes esportivos.
Pelotas é uma cidade que alimenta a alma com cultura, adoça a vida com a sua gastronomia e acolhe com as suas paisagens. É um daqueles lugares onde o passado e o futuro caminham juntos.



