Milonga da panela de Jayme Caetano Braun para desopilar os maus fluídos

Jotace, colunista e contador de causos.

Panela de carreteiro,

dos tempos da monarquia

em constante romaria,

no velho pago campeiro,

regalo de um missioneiro

que me ofertou – de presente,

mas agora – indiferente,

a uma amizade sadia,

vive a sonhar – noite e dia,

chorando a panela ausente!

 

Maestro dos veteranos

da nossa canção bravia!

uma panela vazia,

não vale teus desenganos!

deixa isso pra os profanos

que a nossa história revela.

Guarani – a vida é tão bela,

em nossa terra baguala,

pra que gastar tanta fala

por causa de uma panela?

 

Larga de mão – eu te peço,

da ideia de entrar em juízo,

termina dando prejuízo,

só com as custas do progresso,

o tempo aponta o progresso,

já sem relincho nem berro;

podes errar – como eu erro,

continuando desunidos

e nós dois sermos cozidos,

nessa panela de ferro!

 

Os três pés dessa marmita,

queimada – de casca escura,

são – na verdade – a estrutura

da nossa terra jesuíta,

por isso bugre – acredita,

na fala deste mestiço:

– canta – e não pensa mais nisso,

deixa que durma o passado,

o Pedro Ortaça é o culpado

de todo esse rebuliço

 

Fica a panela comigo,

pois dela tenho usufruto,

cada segundo e minuto,

lembranças do tempo antigo

e – se não falo contigo,

por causa de uma querela,

caso eu estique a canela,

já está gravado o decreto:

– quando tiveres um neto,

manda buscar a panela!!

Tive o prazer de conhecer pessoalmente esses troncos missioneiros – Noel Guarany, Cenair Maicá, Pedro Ortaça e Jaime Caetano Braun – nas antigas e boas gauderiadas com o João Manoel, o popular Batatão. Tempos de ouro que valeram a pena.

Urgente: nos dias 17 e 18 deste mês acontece um mutirão para regularizar a situação dos moradores do bairro Guabiroba, no local da Rodoviária de Pelotas.
Mais informações estão disponíveis no site da Prefeitura.
O serviço é totalmente gratuito – é agora ou nunca!