Quem pensa que disputas e embates eleitorais se dão apenas entre partidos, engana-se! Disputas que podem mudar a realidade ou até mesmo o resultado de uma eleição, acontecem dentro dos partidos.
Falando em partidos, em Pelotas, há duas décadas, alguns partidos aderiram ao mercado das coligações, onde cargos em comissão (CCs), autarquias e secretarias municipais tornaram-se a moeda de troca, contemplando vereadores e dirigentes partidários que defendem a coligação com o poder vigente em detrimento da candidatura própria, isso apequenou dois partidos históricos em Pelotas, o Progressistas e o MDB.
MEMÓRIA DAS ELEIÇÕES I
No Progressistas, a direita raiz, sucessora da ARENA, que comandou Pelotas em vários mandatos, Fetter Junior ofereceu seu nome como candidato a prefeito em 2020 numa sigla dividida com um pé na candidatura Paula Mascarenhas, ocupando cargos na administração, e outro na candidatura Fetter Junior, resultado: o partido nem ao segundo turno chegou.
Quatro anos se passaram e a realidade no Progressistas é um novo episódio da mesma série, onde de um lado, há um grupo composto por filiados e vereadores querendo manter o apoio ao governo do PSDB e, de outro, o grupo que apoia a candidatura Fetter Junior, querendo candidatura própria ou até mesmo coligação, porém com outra sigla, isto é, outra força política contrária ao PSDB.
Isso é o que se depreende da nota redigida e assinada por integrantes do Diretório Municipal do PP e pré-candidatos a vereadores que se reuniram no dia 26 de junho. Que cita a reunião da executiva com a presença do presidente municipal, dos dois vice-presidentes, do secretário geral e outros membros da executiva, assim como de um vereador, na qual foram debatidas as alternativas de posicionamento partidário e decidido pela realização de pesquisa para avaliar a viabilidade eleitoral de candidatura própria ou de outras alianças.
A expressão “outras alianças” é uma afirmação de que há uma aliança, supostamente com o atual governo, agora avaliam outras alianças.
MEMÓRIA DAS ELEIÇÕES II
O MDB fazia parte do primeiro governo Paula Mascarenhas. Em 2020, lançou candidatura própria. Depois da desistência de seu candidato a prefeito, o partido escolheu outro e foi adiante, o tradicional MDB, que abrigou todos os partidos contrários à Ditadura Civil Militar. O MDB de Getúlio Dias, de Irajá Rodrigues, de Bernardo de Souza, de José Maria de Carvalho, de Lélio Souza, o MDB opositor da ARENA acabou em penúltimo lugar, conquistando míseros 1.139 votos para prefeito na eleição de 2020.
Por consequência da evidente falta de capital político, o partido que comanda o Executivo Municipal demitiu os emedebistas dos cargos ocupados até então. Dois anos depois, as eleições presidenciais e para governo do Estado serviram como uma nova rota de aproximação do MDB pelotense com o governo municipal, através de Simone Tebet e da eleição de Gabriel Souza, vice de Eduardo Leite, o MDB recebeu o perdão pela atitude de lançar candidatura própria e aqueles que haviam perdido, voltaram aos cargos na prefeitura.
Em 2024, o ícone político, Irajá Andara Rodrigues, aos 88 anos, emedebista raiz, quer ser candidato a prefeito e ofereceu seu nome ao partido. Não é possível afirmar que o MDB ganha ou perde com a candidatura própria ou com alguma coligação oposicionista ao atual governo. Sobretudo porque o partido não tem nenhum vereador para barganhar votos com o executivo, restando apenas a dependência daqueles que estão empregados na prefeitura.
As categorias analíticas para aprovação da candidatura Irajá Rodrigues em convenção do MDB são em menor número do que as de outros partidos, porém a decisão além de partidária transita em meio a laços afetivos.
MEMÓRIA DAS ELEIÇÕES III
Acredito ser importante salientar que esta é uma análise do comportamento de lideranças partidárias e de políticos com mandato, que são efetivamente responsáveis pelo posicionamento do partido no campo da representação política na cidade, então não responsabilizem esse colunista por vossos atos no decorrer da história.
Cabe lembrar também, que fazer coligação não é feio, nem reprovável, muito pelo contrário, faz parte do processo político e democrático do nosso sistema eleitoral, mas o que tem que ser ressaltado é que, a coligação deve ser permeada por semelhanças ideológicas ou programáticas, jamais pelo pragmatismo do emprego, do cargo, do salário, da dominação ou da hegemonia de um partido sobre os outros.
Estar coligado é exercer responsabilidade solidária com um governo, com um mandato, seja ele bom ou ruim, é oferecer ideias e ideais. Nos dias atuais com a quantidade de informações disponíveis, assistir atores políticos às vésperas da eleição pular do barco e passar a fazer críticas à gestão que apoiou, que votou a favor e que desfrutou, seja do espaço de poder, do cargo ou do salário, é hipocrisia, oportunismo…
O eleitor não é ingênuo!




