Mais de dois mil anos

Quando pensei em escrever a crônica para o Natal, me surgiu a lembrança de um texto que li há muitos anos. Como não recordava das palavras exatas, me pus a procurá-lo entre meus guardados. Encontrei-o, finalmente, com um sorriso íntimo e confortante como quem descobre um tesouro, porque sem dúvida essa passagem merece ser compartilhada com os que não a conhecem. O título do texto é “Uma vida solitária”.

“Ele nasceu numa obscura vila, filho de uma camponesa. Trabalhou numa oficina de carpinteiro até a idade de 30 anos e, então, por três anos foi pregador itinerante. Ele não escreveu livro, não ocupou um cargo oficial, não possuiu casa, não teve família. O moço nunca frequentou escola superior, jamais colocou o pé numa grande cidade. Nunca se afastou mais de 300 quilômetros do lugar em que nasceu. Nunca fez qualquer das coisas que ordinariamente acompanham a grandeza. Não teve credenciais senão Sua própria pessoa. Vinte longos séculos se passaram e, hoje, Ele é a figura central da raça humana. Todos os exércitos que marcharam sobre a terra, todas as esquadras já construídas, todos os parlamentos já constituídos, todos os reis que já reinaram – todos juntos não afetaram a vida de qualquer pessoa na terra como esta vida solitária tem afetado”. (Dr. James Allan Francis)

Escrever a respeito do Natal é escrever sobre essa vida solitária. É reconhecer que o nascimento de Cristo assinala e marca a história dos homens. É recapitular cada detalhe conhecido dos registros da passagem dessa vida solitária, da manjedoura até a cruz. É meditar o significado dessa data e preservá-la por todo o resto do ano.

O meu texto, hoje, portanto, é para Ele: – Nasceste do ventre de uma jovem mulher, simples e corajosa, que Te amamentou com o leite do carinho, enquanto Te adoravam os pastores silenciosos. No firmamento, uma estrela brilhante surgiu, assinalando a Tua chegada.

Passaram-se mais de 2 mil anos e continuamos a Te buscar nas luzes, nas festas, nas ceias, nos pacotes enfeitados. Perdemos o rumo da Estrela de Belém. Não vemos que estás solitário no calor de um berço de palha com os braços abertos, esperando os homens de boa-vontade.

Natal é quando deixamos que nasça no íntimo de nós mesmos a cada dia e sempre, Jesus!  Natal é quando te abraçamos na alma. Natal é quando Te fazemos companhia.