Pela primeira vez na história, há mais crianças e adolescentes com excesso de peso do que vivendo em situação de desnutrição. Segundo o relatório mais recente do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), 9,4% dos jovens entre 5 e 19 anos estão obesos, enquanto 9,2% enfrentam a falta de nutrientes básicos, nenhum dos dois dados nos traz tranquilidade, mas hoje iremos também olhar para a sobrenutrição (excesso de calorias da alimentação). Esse cenário mostra que, mesmo em regiões com fartura de alimentos, a má alimentação tem ocupado um espaço preocupante.
Grande parte da resposta está no que chega mais fácil às mãos das famílias. Produtos prontos, coloridos, embalados para durar meses nas prateleiras. Custam pouco, enchem rápido, mas não sustentam. Quem nunca viu uma criança comer um pacote de bolacha recheada e, minutos depois, já pedir algo a mais? Isso não é acaso, é como esses alimentos são feitos: muito açúcar, gordura e sal, mas pouco do que realmente nutre.
As consequências não demoram a aparecer. Crianças e adolescentes com obesidade têm mais risco de desenvolver pressão alta, diabetes tipo 2 e problemas no coração. Doenças que antes se viam em adultos já começam a aparecer nos consultórios infantis. O problema não está apenas dentro de casa. É um cenário que envolve pressa, propaganda que fala direto com as crianças, lanches baratos em cada esquina e a falta de tempo das famílias para preparar refeições. Tudo isso junto faz com que os ultraprocessados ocupem cada vez mais espaço.
O caminho para mudar essa realidade pode começar simples. Arroz com feijão, ovo mexido, legumes refogados, polenta com molho ou abóbora assada. Essas combinações, que fazem parte do dia a dia de tantas famílias, alimentam de verdade, são acessíveis e deixam o corpo satisfeito por mais tempo. Cabe aqui também resgatar a lancheira. Uma bergamota, um pedaço de aipim cozido, um pão caseiro com ovo mexido ou até uma fruta picada são opções que cabem no bolso e cumprem bem o papel. Não é sobre cortar tudo o que é industrializado, mas sobre reduzir e dar mais espaço para a comida simples, aquela que enche a barriga e faz bem.
Trocar o refrigerante por água com limão, o doce da tarde por uma fruta, ou mesmo diminuir o consumo de pacotes prontos já é um começo. São mudanças pequenas, mas que somadas ao longo do tempo fazem uma diferença enorme. Se hoje os números mostram muitas crianças obesas, na verdade, percentuais jamais vistos, lhe asseguro que ainda podemos mudar esse quadro. E essa mudança começa no prato, em escolhas que parecem pequenas, mas que definem o futuro.
E você? O que tem colocado no prato das crianças da sua casa? Já pensou em trocar aquele lanche pronto por uma versão feita em casa? Essa conversa vale a pena.




