Eleições e os falsinhos da pandemia

Quem foi votar no domingo (15) para prefeito e vereador constatou, tristemente, que se repetiu uma cena já comum pelas ruas: pessoas levam a máscara na mão ou pendurada no pescoço e somente colocam em frente à boca e ao nariz quando lhes é cobrado. Se já agora que a temperatura é amena as desculpas são as mais diversas para enrolar e se negar a utilizar um dos elementos de proteção própria e cuidados para com os outros, então imagine quando, efetivamente, chegar o verão.

Alguns falam do cansaço com tudo o que está acontecendo e que as pessoas precisam se dar ao direito de desopilar. Esta tolerância do erro menor é o que advém da nossa falta de educação. Uma visão de que se pode dar certos “direitos” que são dos males o menor e não causarão maiores problemas. Como se pode ter certeza de que é assim que vai acontecer? Há casos de infectados que estavam tendo todo o cuidado, mas conviviam com pessoas que transitavam por outros meios e se tornaram portadores. Além da falta do uso da máscara, aglomerações, desrespeito ao distanciamento social e “esquecimento” do uso do álcool gel.

Uma senhora disse que não usava álcool porque ressecava as mãos. Quando amigos dizem que me tornei um chato com os cuidados creio ser bem claro: prefiro falar e até me tornar inoportuno repetindo o mesmo mantra até que se conscientizem, do que estar em silêncio nos seus velórios…

O mapa atualizado da pandemia no estado mostra que o vírus até deu uma refreada, porém, coincidentemente, exatamente no período que antecedeu as eleições. Agora, mais de dez regiões com bandeira vermelha e endurecimento nas regras de atividades sociais, educacionais e de empregos. Dos Estados Unidos, seu novo presidente foi categórico: empossado, uma equipe de técnicos vai definir áreas que precisarão entrar em lockdown – fechamento da cidade ou de uma de suas regiões – pelo período necessário…

Os “falsinhos” de plantão estão dando um jeito para vender a ideia de que se exagera nas recomendações e que as medidas tomadas vão causar uma crise ainda maior para economia. Pena que a memória do brasileiro seja curta: a economia já vinha mal… antes da pandemia! E vai ficar pior quando se apresentar a conta, já no próximo ano. Por outro lado, o governo que deveria estar preparado para enfrentar situações adversas, preferiu surfar na onda política e discutir em todos os tons o que desse, dividendos eleitorais.

Reclamações com a eliminação de locais de votação – previamente anunciada – e desconhecida por parte da população, até do porquê de idosos passarem à frente. Sobrou para os mesários, com agressões verbais e físicas. As eleições deveriam aperfeiçoar o convívio democrático, mas se tornaram um fardo recoberto pela indiferença de muitos e o oportunismo de poucos. Triste Brasil: sem sermos capazes de fazer história no presente, ainda queremos ser o país do futuro…

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