Efeito manada

Otávio Avendano é Psicanalista, hipnoterapeuta e neurocientista do comportamento humano. (Foto: Arquivo Pessoal)

Efeito manada é o que acontece quando um grupo de pessoas passivas se deixam conduzir sem questionamento.

Há muitas pesquisas na psicologia social que comprovam o evento, à semelhança do que aconteceu com a ascensão do fascismo, do nazismo e outros regimes totalitários. É muito usado para gerar medo, ódio, compulsões, preconceitos. Impede o juízo crítico, ignora as questões éticas e morais. Torna o humano gado de rebanho.

O efeito manada é contundente. As pessoas abrem mão de sua individualidade, deixam de pensar e são facilmente manipuláveis. O comportamento da manada facilita, perdoa e oculta as transgressões. O resultado é devastador: fanatismo, fundamentalismo, agressões, preconceitos de toda sorte. O lado obscuro e oculto das pessoas se revela, além do fato de que adotam comportamentos ridículos, tudo por influência de suas lideranças nefastas.

A manada não pensa. Reage de acordo com a manipulação de emoções, de preconceitos enraizados, da necessidade de se sentir aceito, de tornar-se igual a todos daquele círculo.
É um instrumento muito usado na política, em algumas agremiações religiosas, empresas e nas redes sociais.

Uma escolha ou tomada de decisão sem análise cuidadosa e atenta, tende a ter algum tipo de prejuízo. Esse último pode ser de nível material, físico, psicológico ou emocional. Além disso, é preciso lembrar que, em certos casos, não vai ter como mudar.

Em situações que envolvam tensão e perigo, podemos nos guiar por um comportamento majoritário e correr risco de vida. Não é seguro e nem eficaz agir sem medir as consequências.

Em contextos que envolvam grandes sentimentos temos a tendência a agir de maneira distinta. Há uma grande possibilidade de ter uma atuação de modo inconsequente, pois movidos pela energia e pelo comportamento gerais, há um aumento a tendência de se colocar em risco nossa integridade e a dos demais.

Cenários de forte apelo social e política exigem cuidado com atitudes, pensamentos e com a comunicação. Sem cuidado, a fazer leituras rasas sobre o cenário e prezar por fontes únicas e não confiáveis. Além disso, faltamos com a escuta e o diálogo com o diferente, preferimos julgar a tentar compreender, etc.

Em uma situação de perigo, é importante verificar se o comportamento majoritário tem fundamento ou razão para ocorrer. Muitas vezes, somos levados a agir de uma maneira ineficaz, porque os demais fazem o mesmo. Podemos ficar seguros se agirmos com responsabilidade e autonomia.

Por isso é tão importante – pare e pense! Nelson Rodrigues tinha uma frase sobre isso: “Toda a unanimidade é burra. Quem pensa com a unanimidade não precisa pensar”.
E você? Já foi líder ou vítima do comportamento de manada? Já fez algo absurdo por “ordem” do líder do grupo para se sentir aceito e reconhecido?

*Otávio Avendano é especialista em Hipnose Clínica e pós-graduado em Neurociências e Comportamento

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