Dormir pouco e comer tarde, doença silenciosa e os benefícios de caminhar para trás

Hospital Miguel Piltcher.

OS MALEFÍCIOS EM DORMIR POUCO E COMER TARDE

Assim como nós temos uma rotina diária (para comer, trabalhar, fazer exercícios físicos, dormir), nosso organismo também tem uma. Trata-se do ciclo circadiano. Durante a manhã e tarde, corpo e mente estão ativos; com a chegada da noite, uma série de mudanças fisiológicas nos preparam para dormir. É como um relógio. Um relógio interno que nos avisa dos diferentes momentos das 24 horas do dia e que tem impacto tanto no âmbito físico quanto mental e comportamental. Não é difícil perceber a importância desse mecanismo.

Quem já esticou até tarde em uma noitada ou teve um daqueles dias cheios no trabalho em que não dá tempo para comer ou dormir direito, já sentiu as consequências. A verdade é que o estilo de vida ocidental não contribui para manter o ritmo circadiano equilibrado.
Estamos expostos a um volume menor de horas de luz natural do que nossos ancestrais – somos mais sedentários e passamos cada vez mais tempo em frente a telas.

Soma-se a isso um nível maior de estresse, uma vida social que não respeita os horários da nossa rotina e uma alimentação baseada em produtos açucarados e ultra processados. Que implicações tudo isso pode ter para a saúde?

Um desequilíbrio pode levar à falta ou má qualidade do sono, a alterações de humor, aumento do estresse, desorientação, problemas de memória, fadiga e ansiedade, entre outros males que, se mantidos ao longo de muito tempo, podem trazer consequências bem mais graves.

DPOC – DOENÇA SILENCIOSA

Se você é fumante habitual, como foi o ator Pedro Paulo Rangel, morto na madrugada do dia 21 de dezembro aos 74 anos, tem 90% de chance de sofrer de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Um dos grandes problemas da DPOC é, justamente, o fato de ela nem sempre ser diagnosticada. E os fumantes geralmente não se queixam ou vão ao médico por estarem tossindo ou apresentarem dificuldades respiratórias.

A doença evolui de forma lenta e normalmente só se torna visível a partir dos 40 ou 50 anos. Os sintomas mais frequentes são a dispneia (dificuldade para respirar), tosse crônica e a produção de fleumas (expectoração com muco). Piora com o tempo e pode se agravar a ponto de levar à morte. Ela se desenvolve de quadros persistentes de bronquite ou enfisema pulmonar. Na bronquite, há persistente produção de muco e inflamação nas vias aéreas.

No enfisema há destruição dos alvéolos, estruturas responsáveis pelo fluxo de ar nos pulmões. Sua principal causa é a exposição à fumaça do cigarro, seja o fumante ativo ou passivo. A exposição a outros tipos de fumaça também causar a doença – quem trabalha com fornos de lenha em pizzarias ou carvoarias também corre risco. E, geralmente, se manifesta de forma silenciosa: 80% das pessoas afetadas nem sequer sabem disso. Não há cura para a DPOC, cerca de 3 milhões de pessoas morrem anualmente em decorrência desta doença, que afeta 384 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo a OMS.

BENEFÍCIOS AO CAMINHAR PARA TRÁS

Caminhar é uma modalidade de exercício que não requer equipamento especial ou inscrição em uma academia – e, o melhor de tudo, é de graça. É algo que costumamos fazer automaticamente. E, justamente por não exigir um esforço consciente, muita gente não se lembra dos benefícios que ela oferece à saúde. Há uma maneira, contudo, de sair do piloto automático e desafiar nossos cérebros: andando para trás. Além de exigir mais atenção, a mudança de direção também pode ser benéfica para o organismo.

Uma caminhada diária pode fornecer uma série de benefícios à saúde – mesmo para quem não pratica exercícios físicos regularmente. Ficar em pé requer coordenação entre nossos sistemas visual, vestibular (aquele associado ao movimento, a ações como girar ou mover-se rapidamente) e proprioceptivo (ligado à consciência de onde nossos corpos estão no espaço). Quando andamos para trás, nossos cérebros demoram mais para processar as demandas adicionais de coordenação desses sistemas. E é esse nível mais alto de desafio que pode ser vantajoso para o organismo.

Um dos benefícios mais bem estudados de se andar para trás é a melhoria da estabilidade e do equilíbrio do corpo. Praticar a atividade pode nos ajudar a melhorar nossa marcha normal (ou seja, para frente) e, em posição de equilíbrio, pode auxiliar tanto adultos saudáveis quanto aqueles com osteoartrite de joelho. Caminhando para trás, damos passos mais curtos e frequentes, o que melhora a resistência dos músculos da perna e reduz a carga nas articulações.

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