Clima

O grupo reunido parecia harmônico em seus, presumidamente, idênticos interesses. Que difíceis situações se criam quando ficam a descoberto as enganosas intenções de cada uma das personagens.

O efeito esponja logo vem à superfície, em mim, e fico frente a frente com os poros da alma escancarados e sujeitos a absorver o clima ao meu redor. A energia, a vibração, a impressão, a atmosfera que me rondam fazem, ocasionalmente, que aconteçam as quatro estações do ano, em um só momento no meu cotidiano.

E na verdade, absorvo a vibe e sou envolvida por um redemoinho de sensações, algumas vezes, adversas e nocivas.

Independente da minha vontade, constato que sou uma esponja que se encharca com o mau humor, a negatividade, o pessimismo, a inveja, a competição de outros, que sem mais nem menos deixam de exalar agradáveis aromas, para ao contrário, espargirem no ar amarguras e ressentimentos.

Que jeito desajeitado de ser e de estar esse que me acompanha ao logo do caminho.

Fico, sem querer, contaminada, buscando um antídoto. E me pergunto se existe alguma forma de escapar a esses surtos de absorção do desagradável.

Por mais que eu tente, acabo sendo atingida pelas vibrações negativas. Mesmo trazendo à lembrança o “jogo do contente” da Pollyana, eu escorrego e não sei como equilibrar minha sensibilidade.

Sensibilidade, aliás, é uma faca de dois gumes. De um modo ou de outro, acabo sendo atingida quando paira no ar aquela sensação de que não me pertence a vibe negativa de alguns.

E pensar que é tão generosamente bom conviver com as emoções, com os sentimentos positivos, que são indispensáveis para a saúde mental, física e emocional.

Chego à conclusão de que não estou sozinha nessa condição de me ensopar pelos maus fluidos que surgem inesperadamente nesse convívio nosso de cada dia.

Eu, tu, eles, nós estamos no mesmo barco sujeitos as intempéries do “clima”. Chova ou faça sol, somos viajantes querendo escapar de tormentas.

E pensando melhor, acho que ser esponja nos auxilia no aprendizado de separa o joio do trigo.

Aos poucos vamos alcançando a própria graduação e a especialização na busca de antídotos para proteger, em nós, a preservação da essência do que somos e do que sentimos.

E que seja o que tiver de ser porque por mais que se lute ou tente evitar não se consegue passar ileso pelas vibrações toxicas que estão no ar. Consequências do “clima”.