Barraqueada

A molecada pra fazer uma arte não tinha fastio. Se combinaram, deram barranca e aquela algazarra quando o mais velho, tido como experiente, sujeito engraçado por sinal, inteligente, fez valer a liderença e gritou: – Eu serei o primeiro.
Todos acataram a decisão e lá se foi o sortudo. Deu uma palmadinha na anca do animal, jogou a cola pro ombro e se foi ao fato, mas aí o susto. No escuro, pegaram um cavalo da mesma pelagem. Ele meio desajeitado saltou de lado e murmurou: – Há algo de anormal com esse animal, não serei mais o primeiro.
A gurizada não perdoou.

Recenseador
Fazendo o Censo Agrícola no Rincão dos Ávilas, cheguei num rancho barreado, mui caprichado por sinal. A cuscada meio que avançando e eu gritei lá da porteira: – Ô de casa, é o recenseador.
Lá pelas tanta, um gurizote com a cara meia assustada apareceu no canto da casa e perguntei pelo seu pai: – Papai não tá. Então chama tua mãe: – Mamãe saiu.
Não querendo perder tempo, indaguei: – Onde ela foi?- Foi no mato cagá. Já meio rindo, retruquei: – Vai demorar?
– Aí o guri arremachou: – Não, já saiu se peidando. Me larguei campo a fora.

Receita braba
Um tio meu, daqueles tipo parafuso de patrola, andava meio trancado dos intestinos e se viu obrigado a consultar. Nem chá de umbu fazia descer. O médico, famoso por aqui, mas conhecedor da fama de valente do mesmo, com muita cautela receitou uns supositórios, única coisa que poderia resolver o impasse. Recomendou: – Tu pede prá tua mulher colocar um por dia no teu ânus. O tio, para não demonstrar grossura, saiu liso, sem perguntar o que era.
Em casa: – Mulhé, o doutor mandou tu botá um por dia no meu ânus. Ela também não sabia o que era e ficou por aí.
No outro dia, ele voltou ao médico, bravo, e indagou: – A donde eu boto isso afinal? O doutor com pressa respondeu: – Enfia na bunda. Ele deu de mão no 38 e retrucou: – Não precisa ignorá maleducado.
Quase virou tragédia.

Jotacê x Cacique
Na capital farrapa.

Enviar comentário

Envie um comentário!
Digite o seu nome