Atualizar

Muitas inovações criativas no mundo da internet, programas úteis e necessários estão em constante atualização. Basta utilizar as ferramentas disponíveis em uma infinidade de ofertas para ter que modernizá-las seguidas vezes com o pedido do tal de “update”. Sempre surge uma versão nova para aprimorar nesse mundo informatizado da atualidade.

Sinais dos tempos, diria meu avô.

Pois, para complementar a constatação que faço de que atualizar é preciso, passei os olhos por uma frase impressa na minha agenda que desencadeou variantes para um mesmo raciocínio.

“Solidão é tempo de mudança nos mecanismos da alma”. Hum! Que mergulho deram meus pensamentos nesse mar de palavras!

Quem escapa de momentos de solidão? Momentos curtos ou longos períodos em que inexiste companhia, exceto a de si mesmo?

A solidão não é privilégio de alguém em especial. É comum a cada um em determinado momento da existência. Nada é capaz de nos imunizar contra ela. E isso se deve ao fato de sermos indivíduos únicos e exclusivos. É a nossa própria individualidade e peculiaridade que gera a desagradável constatação da presença da solidão em nossas almas.

E pensando bem, a alma tem engrenagens similares às intrincadas rodas e espirais de um relógio, que se encadeiam em uma sincronia detalhada e minuciosa. Fascinante é observar a dança ritmada dos mecanismos de um relógio no balanço das horas. Ínfimas peças interligadas. A maioria delas só pode ser visualizada com lentes especiais. Assim com a alma. Perambular por seus labirintos exige perícia e o auxílio de um foco de luz.

Entretanto, a solidão, por menos que se queira, é um mal necessário, pois na medida em que nos assusta, nos aprimora. A solidão nos comprime e nos dilata, nos amassa e nos amacia. Ela é adubo porque nos faz crescer, nos torna mais sábios para o convívio com os demais. Quem prova o fel da solidão se torna capaz de ser companhia.

E quando a solidão se faz presença inevitável é exatamente nela que germinam as transformações oportunas. A solidão possibilita um “update” na alma. Mudanças e atualizações urgentes e imprescindíveis.

Na solidão, temos a chance de encontrarmos com nossa essência, tentando esclarecer cada detalhe das engrenagens da nossa alma.

Tal assertiva se contrapõe as palavras de Fátima Irene Pinto, que diz em um poema: “Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma”.

Impossível perder-me de mim mesma. Estou sempre em minha companhia, chova ou faça sol, de mãos dadas com a alma, acertando o passo, adaptando mudanças, atualizando mecanismos.