A Praça das Carretas

Paulo Souza.

Muitas pessoas têm em mente que a Praça das Carretas ficava no início da avenida Duque de Caxias, alguns dizem que O Bombeador (eternizado pela belíssima escultura) ficava “bombeando” (olhando) para ver as carretas que chegavam; mas nada disso é verdade, já que a Praça das Carretas era onde hoje se localiza o Pop Center (camelódromo), conforme explico a seguir:

A Praça das Carretas não era um lugar de contemplação e de divertimento. Esse espaço marginal reservava-se às atividades de transporte e de abastecimento à zona urbana situada do outro lado do arroio.

Após alguns anos, ali também se localizaram as estrebarias da Companhia de Ferro Carris e Cais de Pelotas. Pouco a pouco, o espaço foi ocupado. O local era visto pela classe senhorial como ‘foco de imoralidades, fundição de crioulos e entretenimento de escravos’. A região da Praça Vinte de Setembro também era considerada um local impróprio para as pessoas de bem, visto que ali se encontravam reunidos muitos escravos.

Nos anos 1900, o transporte de mercadorias entre as cidades do interior era feito, principalmente, por carretas puxadas por tração animal. Vindos de Dom Pedrito, São Gabriel, Bagé, Rio Grande e outras localidades, as carretas paravam próximo ao final da rua Marechal Floriano, num espaço que vai desde o local onde hoje abriga o Pop Center até o IFSUL (Instituto Federal Sul-Rio-grandense). Por problemas que impedissem a entrada na cidade ou para descansar, um grande número de carretas de forasteiros se concentrava no local.

Havia um intenso comércio no espaço, os armazéns nos arredores vendiam produtos aos carreteiros e vice-versa, como peles, frutas e couros. Na maioria das vezes, as carroças dos armazéns locais que iam em direção às carretas.

No centro da Praça das Carretas havia uma casinha, de onde saíam os bondes puxados a burro, como também empregados para cuidar dos bois dos carreteiros e cocheiras para os animais cansados.

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Até a próxima, tchê!

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