A pobreza das nossas ambições

Manoel Jesus, educador. (Foto: Divulgação)

Minha caminhada matinal passa, em alguns dias da semana, pelas ruas do bairro Quartier, que ficam próximas à sanga, ao lado contrário das instalações da Unimed, no bairro Três Vendas, em Pelotas. Recentemente, começou a se perceber obras em uma quadra que estava fechada, onde, segundo a maquete exposta, inclusive na Fenadoce, vai ser uma rampa que possibilitará acompanhar o pôr do sol, acompanhado de boa conversa, quem sabe, também, de um bom chimarrão ou a bebida que preferir…

Meus 45 minutos de andança fazem atravessar também o Quinta do Lago, com ruas e estrutura prontas para circulação, entretenimento e cuidado ambiental que prometem um diferencial na qualidade de vida, tanto para os moradores das duas áreas quanto para os vizinhos, que já ocupam seus espaços no final da tarde e finais de semana. Um fenômeno interessante é que um dos condomínios populares – o Moradas Pelotas – que fica contíguo, já teve seus valores de aluguel aumentados em função desta proximidade.

Fomos acostumados a não pedir infraestrutura urbana e serviços, achando que são luxos e existem outras carências a serem atendidas. Hoje, percebe-se que a penúria de recursos tem a ver com a incapacidade dos gestores públicos. Quando não conseguem alcançar algo que a população precisa omitem-se e se fica com a ideia de que se está pedindo demais. Vamos sendo acostumados à pobreza das nossas ambições. Deveriam, sim, estabelecer parcerias para compensar a incapacidade administrativa.

Pensava nisto quando li sobre o Pacto Educativo Global, pedido pelo papa Francisco e que motiva um seminário da Pastoral da Educação no sábado (10). Provocação para pessoas, instituições, igrejas, governos, priorizando a educação humanista e solidária, a forma mais provável de se transformar a sociedade. Estava me preparando para ser o mediador quando escrevi meu texto anterior sobre “Educação: a hora é agora”, falando da mudança de governo e a necessária pressão para cumprirem promessas de campanha.

A Educação é a área social mais sensível para resgatar as populações marginalizadas. São sete compromissos propostos por Francisco no pacto educativo: 1. Colocar a pessoa no centro de cada processo educativo; 2. Ouvir as gerações mais novas; 3. Promover a mulher; 4. Responsabilizar a família; 5. Se abrir à acolhida; 6. Renovar a economia e a política e, finalmente, mas não menos importante, o item 7. Cuidar da casa comum. Simples, mas com a profundidade cirúrgica de uma sangria que precisa ser estancada…

Perdão, professora Dora, Alexandre, padre Martinho, Bete, Andrei se não estarei com vocês. Tenho certeza de que mentes que vivenciaram vitórias e revezes com a educação têm um diagnóstico que permite avançar. Exatamente no que diz Francisco: a pessoa ao centro; chamar a família e, especialmente, a mulher; percebendo que os jovens tem o que dizer e renovando práticas que estão pervertidas – na economia e na política – por quem, discursando, não quer cuidar das pessoas, muito menos da casa comum…

Link do YouTube em https://youtu.be/UqvlYkv4wj8.

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