A necessidade da prevenção

As notícias do final de semana – e outras nem tão recentes assim – dão claros sinais de desleixo da população com a sua própria saúde. A desculpa quase sempre está em que os serviços de atendimento dificultam a prevenção e então, quando há alguma ameaça o jeito é correr e gritar por socorro. Claro que há problemas com os agentes públicos, mas não se pode eximir a população da sua quota de responsabilidade.
O mais recente caso é do Sarampo. Controlado por décadas, agora reapareceu com força. Depois que nos anos 1970 e 1980 causou mortes e sequelas, campanhas de vacinação em massa trouxeram o seu controle. Pois é aí que mora o perigo… passado algum tempo, sem sua presença efetiva (embora sempre tenha estado na moita) houve o relaxamento. Muitos pais acreditaram que já não era necessária a vacina e os índices de crianças tratadas para a prevenção despencou.
Numa sociedade globalizada, o surto, que agora atinge regiões de São Paulo e Rio de Janeiro, pode e vai se espraiar para o Brasil. Como lembrava o Sérgio Corrêa, com o nosso inverno e estando muitas vezes reclusos em ambientes fechados (locais de trabalho, bancos, ônibus…) a contaminação é uma possibilidade. Para quem pegou uma gripe, por exemplo, o vírus pode ser “compartilhado” com mais oito pessoas. O vírus do Sarampo é mais forte: pode ser repartido com cerca de 16 pessoas!
Falando em gripe, veja-se as campanhas de vacinação de idosos, crianças e pessoas em situação de risco. Foi uma luta até se chegar aos índices de controle de um problema que parece tão simples, mas que também as complicações podem levar à morte. Com todas as informações das pesquisas abalizando sua necessidade, ainda há quem seja descrente da sua eficácia. Como também idosos que acreditam ser uma arma para o governo acabar com eles e poupar na aposentadoria…
A arma mais eficaz é a prevenção. Ausente também na questão sexual, quando autoridades e educadores se preocupam com o aumento dos casos de AIDS. Quem viveu a sua propagação lembra que os cuidados se deram mais pelo medo do que pela conscientização. As cenas de famosos literalmente se desmanchando ou de pessoas sendo enterradas em caixões de metal causou tanto impacto que se redobrou a prevenção e, nos casos em que já havia contaminação, o controle, embora não a cura.
Admiro pais que abrem mão de sua diversão e de compromissos sociais para conviver com os filhos. São pessoas premiadas pela vida, pois vivem momentos que ficarão entalhados em suas lembranças, até quando se preocupam com a saúde dos menores… os problemas com as estruturas do atendimento público não podem servir para descuidarem. “Prevenir ainda é o melhor remédio”. Como diz Rafael Nolêto, “a promoção da saúde preventiva colabora para o bem-estar de toda a sociedade”.

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