A mulher de branco

Vocês acreditam em fantasma?
Então, acompanhem a história que conto:

Dizem que nos tempos antigos, onde hoje é a sede da União Gaúcha J. Simões Lopes Neto, existia uma fazenda de criação de gado, cujo proprietário era muito rico, casado e tinha uma única filha chamada Linda.

Linda era uma bela menina que convivia somente com seus pais, pois o fazendeiro era muito rígido e não permitia que ninguém visitasse a sua fazenda e nem que ela saísse de suas terras.

Já moça, Linda tinha o sonho de ir a um baile, pois havia escutado os escravos falando que em seus finais de semana realizavam lindos bailes nas fazendas vizinhas, onde vinham moças e rapazes de vários lugares que dançavam a noite toda.
Linda chorava muito e dizia que de nada servia ser rica e não poder se divertir.

O tempo foi passando, Linda ficou doente e o médico dizia que ela não tinha mais vontade de viver. Um dia, sua mãe foi chamá-la e ela não respondeu, constatando que Linda estava morta, para desespero de seus pais.

Muitos anos se passaram e naquele mesmo local foi erguido um grande galpão, para ali se transferiu a União Gaúcha J. Simões Lopes Neto e muitos bailes passaram a se realizar.

Em uma noite realizava-se um grande fandango, chamado de Baile da Prenda Jovem, e quando começou o baile um rapaz viu uma bela moça num canto do salão e pensou que devia ser uma debutante, pois estava toda de branco. Ele a convidou para dançar, ela disse que não sabia, mas que era o seu grande sonho dançar num salão; dançaram toda noite e quando o fandango terminou, ele ofereceu-se para levá-la até a sua casa. Ela disse que morava ali mesmo e apontou para uma pequena casa do caseiro. Como estava frio, o rapaz colocou o seu casaco no ombro de moça, a levou até a porta da casa e perguntou qual era o seu nome, ela respondeu Linda.

Passados alguns dias, o rapaz foi até a pequena casa para falar com a moça e recuperar o seu casaco. Chegou na casa do caseiro e perguntou pela filha deles, chamada Linda. O caseiro ficou muito surpreso e disse que ali não morava nenhuma moça com esse nome. O rapaz não acreditou e olhando para dentro da casa viu o retrato muito antigo e bem apagado de uma moça, e disse: “É aquela ali a minha Linda!”. O caseiro, muito surpreso, falou que aquela moça era filha de um fazendeiro que era seu parente, que foi dono daquelas terras há muito tempo e que ela morreu de desgosto por nunca ter ido a um baile.

Dizendo isto, o caseiro se propôs a levar o moço até o túmulo de Linda, onde o rapaz encontrou nele pendurado o seu casaco.

Esta é a história de Linda, a Mulher de Branco, que até hoje é vista dentro da União Gaúcha, principalmente nos fandangos e nas reuniões de prendas, tipo dormidões ou ronda das mulheres na Semana Farroupilha, considerada a protetora das prendas da centenária União Gaúcha J. Simões Lopes Neto.

Gostaram? Vocês, peões que participam de bailes naquele local, nunca dançaram com uma moça um pouco diferente com uma bela pilcha branca? Será?

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