A lupa da opinião pública sobre o prefeito

Elis Radmann, cientista social e socióloga.

Via de regra, todo prefeito quer ser bem avaliado, quer ter o apoio popular. Mas nem todos conseguem essa façanha!

O grande desafio está associado às expectativas que foram criadas no processo eleitoral. Sempre digo que as promessas de um candidato, que o seu plano de governo, são o “contrato social” estabelecido com o eleitor. Mais do que dar um voto de confiança pessoal, este eleitor acaba depositando esperança nas ideias postas pelo candidato.

Ora, se há expectativa, se há confiança e esperança, há crença! Então, quando se pensa em como o eleitor avalia um prefeito, a primeira regra é a avaliação das promessas. Se o que foi prometido está sendo cumprido ou está sendo projetado.

E quando o eleitor coloca uma lupa para avaliar o trabalho de um prefeito, o faz por diferentes ângulos:

  1. a) pela maneira como o prefeito faz política, se relaciona com a comunidade;
  2. b) pelas entregas que realiza, pelos projetos desenvolvidos e a forma como os serviços são prestados.
  3. c) pela forma de comunicação, o que é dito e como é dito.

Estes três ângulos de visão fazem parte do que se chama tripé de gestão, que está associado à política, aos serviços e à comunicação de um mandato.

O primeiro eixo é o da gestão e política. Está associado à imagem e à reputação do governo. Trata-se de percepção, de juízo de valor que envolve elementos simbólicos. Tem relação com a maneira como o governo se faz presente na comunidade. É como se o eleitor colocasse a lupa em todo o trabalho e o julgasse. Em uma pesquisa de opinião, o eleitor pensa no trabalho do prefeito e de seu secretariado e os classifica, podendo ser um promotor ou até um detrator do governo.

O segundo eixo diz respeito aos serviços prestados. O “bom prefeito” atua para ampliá-los e torná-los mais eficientes. Quando os recursos são escassos, estimula a criatividade, a co-criação faz parcerias e motiva a equipe a fazer mais com menos. Também significa que a população espera que as ações e obras sejam realizadas com planejamento, para otimizar resultados. Não faz sentido para o eleitor que uma obra comece e não termine ou que se coloque asfalto em uma rua e depois se quebre o asfalto para fazer o saneamento. Neste campo, o eleitor avalia a capacidade de um prefeito capitanear recursos e implementar novas políticas públicas e também presta muita atenção na maneira como é atendido nas repartições públicas.

A comunicação é o terceiro eixo que faz essa engrenagem funcionar aos olhos da opinião pública. É no bem comunicar que o “bom prefeito” demonstra o rumo de suas ações e da gestão e, principalmente, consegue integrar a sociedade em projetos ou programas de governo. Há, inclusive, gestores que conseguem implementar novos comportamentos como, por exemplo, a resposta da sociedade a iniciativas para reduzir o descarte de lixo em espaços públicos.

A população avalia o prefeito a partir de uma percepção, da leitura que faz das ações, dos projetos e políticas públicas implementadas. Portanto, é vital que um governo tenha claro o seu posicionamento, a mensagem que quer transmitir e como está construindo sua reputação através das ações, fatos e valores que transmite.

Na prática, um prefeito é refém das consequências de suas decisões e não pode esquecer dos compromissos firmados com os seus eleitores.

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