A imaginação que parece realidade

O livro Pequeno Príncipe inicia assim: “Peço perdão às crianças por dedicar este livro a uma pessoa grande. Tenho uma desculpa séria: essa pessoa grande é o melhor amigo que possuo no mundo… é capaz de compreender todas as coisas, até mesmo os livros de criança… se todas essas desculpas não bastam, eu dedico então esse livro à criança que essa pessoa grande já foi. Todas as pessoas grandes foram um dia crianças (mas poucas se lembram disso). Corrijo, portanto, a dedicatória: A Léon Werth. Quando ele era pequenino!”.

Rei Leão (que ainda está nos cinemas) é uma volta há 25 anos. A mesma história que encantou gerações passou do desenho animado para uma montagem feita em computadores com animais e cenários naturais. A fábula tem elementos comuns em contos com a preocupação de trazer uma lição: a disputa entre o bem e o mal, a preparação e o exercício para a liderança, o quanto o equilíbrio da natureza é sensível, o valor que tem uma amizade e o companheirismo.

A roupagem dada pela tecnologia é um novo jeito de contar uma história antiga. A reciclagem de um conto que ainda mantém atentos os olhares de crianças e de muitos adultos que invejam o modo dos pequenos se encantarem com cenas, personagens, tramas… a mesma maneira com que, ao longo da história, menestréis, contadores, ambulantes, vendedores de miudezas andaram pelas estradas e caminhos levando informações, mas também cantigas e causos às populações distantes.

Quem se criou no interior ou quando a iluminação elétrica ainda era precária pegou contadores de histórias em casa. Pais e mães alimentavam o imaginário tendo o lado feminino mais sensível e humanizado, mas também o lado masculino dando ênfase a aventuras eletrizantes, em especial o apelo ao terror. Até chegar ao rádio com as novelas em que as vozes estimulavam a imaginação a recriar as cenas e, enfim, a televisão, onde a criatividade já transcendeu a realidade.

Quando o filme acabou grande parte da plateia era como eu: adulto e sozinho. Não houve uma debandada imediata. Em silêncio, foram acompanhando os créditos e a música. A certeza de que a receita para um bom filma “de criança” continua a mesma e que efeitos especiais e uma fortuna investida precisam da simplicidade de uma boa história que envolva carinho, ternura, afeto…

Um “Léon Werth” lutando para entender o andar inclemente do tempo e o que disse o rei Leão: “O passado pode machucar. Mas do modo como vejo, você pode fugir dele ou aprender com ele”. Amadurecer pode ser exatamente assim: conquistar os valores que a sociedade nos apregoa como sendo de adultos, sem perder a capacidade de se encantar e emocionar diante de mundos que apenas a imaginação é capaz de fazer com que pareçam realidade!

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