
O ano era 1883 e o mês, junho.
Na Serra dos Tapes, perto de um arroio, um senhor de origem germânica que por lá morava resolveu cavar um poço. Cava daqui, cava dali e lá pelas tantas a pá bate em uma estrutura de ferro.
O sr. Falkstumph, esse era seu sobrenome, com curiosidade e cuidado, cava um pouco mais e descobre uma grande caixa de ferro.
Lá mesmo, perto de um local chamado Arroio dos Baios, resolve abrir a caixa pesada, a essas alturas pensando que poderia encontrar alguns ossos, temendo revelar alguma caveira sinistra. Foi em frente. E quase caiu para trás.
Lá dentro, bem acondicionada, havia uma armadura medieval, em aço, com detalhes em ouro, uma respeitável espada com empunhadura cheia de detalhes, também em ouro com pedras preciosas incrustadas, mais a bainha da espada e outras preciosidades.
Lâmpadas e tocheiros de pura prata e um punhado considerável de moedas também compunham o achado daquele dia 10 de junho.
Resolveu levar para casa e lá contar o dinheiro: exatas 1.617 moedas de ouro e prata, com a marca de Felipe II. Dobrões espanhóis anteriores ao ano de 1600.
Era uma fortuna! Como foi parar lá, embaixo daquela terra, é mistério insolúvel até hoje. Quem teria carregado aquele tesouro e o enterrado no meio de um mato naquele lugar tão remoto?
A notícia correu o estado do Rio Grande Sul. O sr. Falkstumph não conseguiu – por mais que tenha tentado – ser discreto. Afinal, era pobre e desenterrou o equivalente ao que seria um prêmio da Mega-Sena nos dias de hoje. Ficou rico.
Não se sabe o paradeiro da armadura medieval, da espada com pedras preciosas e nem que fim teria levado o alemão Falkstumph, que só não voltou para a Alemanha se não quis.
Ele, que havia migrado em busca de dias melhores, procurando água para fazer um poço naquele fim de mundo, cavou inexplicavelmente uma armadura e preciosidades que deveriam estar ali há mais de 200 anos.
Permanece até hoje o mistério. Quem teria atravessado o oceano carregando uma pesada armadura de aço, pratarias e aquela fortuna? E a razão daquele enterro milionário?
Sem corpo, sem ossos, sem caveira.
Prata e ouro.
Sem dono.
Pra alegria do humilde colono alemão.



