Olivae, o azeite produzido na primeira Capital Farroupilha

Com projeto de um total de 60 hectares de olivais, a Olivae possui 45 hectares implantados no 2º Distrito de Piratini (Foto: Divulgação)

Com projeto iniciado em 2012, os azeites Olivae, além de prezar pela alta qualidade, carregam na sua essência uma importância histórica – a de serem produzidos nas terras da primeira Capital Farroupilha: Piratini. Com projeto de um total de 60 hectares de olivais, possui 45 hectares implantados com cinco variedades, duas de origem espanhola (Arbequina e Picual), duas italianas (Frantoio e Coratina) e uma grega (Koroneiki). “A produção de azeitonas começa já com a planta de três anos, porém, uma produção comercial mais regular somente a partir dos seis a oito anos”, explica o sócio e diretor executivo da empresa, Alcyr Cardoso. Segundo ele, a Olivae tem olivais de várias idades, de dois a 10 anos.

“Devido à alta pluviosidade desde o ano passado, temos tido dificuldade em produzir grandes quantidades de azeitonas, pois isso afeta especialmente a floração e diretamente a produção”, ressalta. Cardoso conta que a safra 2023 foi a maior da Olivae até então, enquanto a produção deste ano caiu muito, em especial pela questão do excesso de umidade. “Porém, a qualidade dos azeites tem se mantido em altíssimo nível, como tem sido característico de praticamente todos os azeites gaúchos”, garante. A expectativa para a próxima safra 2025 é de que não seja tão grande como a de 2023, mas superior a do ano de 2024.

A empresa funciona desde março de 2012, junto ao quilômetro 77 da BR-293, no 2º Distrito do município. Conforme o diretor executivo, o objetivo da Olivae sempre foi de obter um produto de alta qualidade, proporcionando aos seus consumidores os benefícios do azeite de oliva extravirgem. “Isto transformou-se em paixão e trabalho, resultando em azeites excepcionais”, destaca.

Cardoso conta que a ideia inicial de produzir azeites de oliva surgiu de visitas em olivais na Europa e América do Sul, que mostram que a cultura tem uma boa adaptação em climas e terras mais secos. “Na época, o sul do Brasil enfrentava vários anos seguidos de estiagens, o que nos chamou a atenção para a olivicultura”, diz. Segundo ele, após estudos, pesquisas e visitas em diversos olivais, em especial no Uruguai, Argentina e Portugal, e aos primeiros produtores no RS, os investidores decidiram plantar suas oliveiras em Piratini.

E a escolha do local não foi por acaso. “Esta região reúne as principais características para a produção do azeite de oliva, tais como o tipo de solo, pluviosidade média, amplitudes térmicas e as temperaturas no inverno e verão, o que confere a esta região uma característica próxima das regiões originárias da oliveira, ao redor do Mediterrâneo”, sublinha. “Acreditamos que estas condições climáticas e de localização proporcionam o terroir perfeito para a obtenção de azeitonas que produzirão azeites extravirgens de excepcional qualidade, ao nível dos melhores do mundo”, reitera.

Outro setor que avança na região é o turismo rural e a Olivae procura contribuir nesse processo recebendo visitas de turistas periodicamente. “Cerca de cinco agências de turismo aqui do Estado têm realizado excursões agendadas, onde recebemos de 30 a 45 pessoas por visita”, explica. Durante o roteiro, além do passeio pelo olival, são realizadas palestras sobre a história da região, olivicultura e azeite de oliva, assim como a degustação dos azeites. “Nos parece ser um processo irreversível e com tendência forte de aumento pela busca destes passeios e excursões”, salienta.

Produção

Apesar da região ser mais apropriada que outras regiões do Estado em termos de condições de solo e de clima, ainda assim pela alta pluviosidade e umidade relativa do ar em comparação às regiões tradicionais da olivicultura ao redor do Mediterrâneo, a cultura exige cuidados especiais para atingir as produções desejadas. Os tratos culturais são desenvolvidos durante todo o ano para manter o máximo potencial produtivo das oliveiras até o final do seu ciclo, que ocorre em torno do mês de março de cada ano.

A colheita é realizada no ponto ideal de maturação das azeitonas, quando concentra uma boa quantidade de azeite, assim como polifenóis e outros compostos químicos fundamentais para as características dos sabores e aromas frutados, amargor e picância nos azeites produzidos.

A empresa trabalha com cinco variedades de azeitonas, duas de origem espanhola (Arbequina e Picual), duas italianas (Frantoio e Coratina) e uma grega (Koroneiki) (Foto: Divulgação)

 

As azeitonas são tratadas cuidadosamente para não perder estas potencialidades, caso sejam machucadas ou entrem em contato com a terra ou qualquer corpo estranho que possam transferir odores estranhos. Assim como no transporte até o lagar, onde são processadas para a extração do azeite. Os azeites são guardados em tanques de inox hermeticamente fechados e em temperaturas baixas para a sua máxima conservação. Ficam assim aguardando o seu envase final como azeites varietais ou em blends de variedades.

Consumo do azeite

Por maior qualidade que consiga conter, mesmo os azeites extravirgens devem ser consumidos o mais próximo possível de sua extração ou colheita. Por ser um produto natural, a partir do momento de sua extração da oliva inicia-se o processo de oxidação e degradação dos componentes benéficos à saúde, especialmente os polifenóis e demais componentes antioxidantes. Assim, apesar de legalmente sua validade para consumo humano chegar a dois anos, o ideal para aproveitar a maior parte de seus componentes originais é consumi-lo o mais jovem possível. Cardoso alerta para não confundir a data da colheita ou extração com a data da embalagem, que muitos azeites apresentam, especialmente os importados. “Muitos, claramente para confundir o consumidor, apenas informam a data do envase, omitindo a data da extração ou safra”. Segundo ele, os produtores têm apenas um período de colheita por ano, em meados de outubro nos países europeus e norte da África, e em torno de março nos países do Hemisfério Sul, como o Brasil.

O diretor executivo recomenda, para melhor aproveitamento das substâncias antioxidantes, que se consuma os azeites extravirgens crus, em saladas, pães, sobre alimentos já servidos no prato e degustações. Enquanto os azeites virgens, pelo seu menor custo, são melhor indicados no preparo das diversas receitas possíveis, como em cozimento, assados e mesmo frituras. “O que não impede, claro, que se use os extravirgens em todas as alternativas da gastronomia”, diz. O azeite de oliva é a melhor gordura para aquecimento no preparo de alimentos, pois o seu ponto de fumaça é de 210ºC, o mais alto entre as gorduras vegetais e bem acima da temperatura ideal para preparo dos alimentos, que é até 180ºC.

Por maior qualidade que consiga conter, mesmo os azeites extravirgens devem ser consumidos o mais próximo possível de sua extração ou colheita (Foto: Divulgação)

Os azeites da safra 2023

Blend – rótulo azul

Composto pelas variedades Arbequina, Frantoio e Picual. O azeite da variedade Arbequina, de origem espanhola, é suave e adocicado, que agregado aos aromas e sabores mais herbáceos e intensos da variedade italiana Frantoio, e mais picantes da espanhola Picual, formam um blend equilibrado, ao gosto do paladar brasileiro. Harmoniza muito bem com saladas, doces e frutos do mar.

Koroneiki – rótulo roxo

Monovarietal da variedade Koroneiki, de origem grega, que tem por características principais a picância e o frutado verde. No nariz apresenta tons de ervas verdes, alcachofra, tomate verde, folhas de figueira e maçã verde. Na boca, amargor e picância de intensidade mediana, porém, persistente. O retrogosto apresenta tons elegantes e delicados de frutas maduras, frutos secos e ervas frescas. Azeite equilibrado e complexo, com boa harmonização com pratos não muito intensos, massas, pães e queijos leves.

Coratina – rótulo verde

Monovarietal da variedade de origem italiana Coratina. É o que possui um frutado intenso e amargor característico, devido sua maior concentração de polifenóis. É um azeite robusto, com aromas e sabores de grama verde cortada, tomateira, folhas de oliveira e frutas verdes e ervas aromáticas. Azeite complexo e intenso, porém, com picância e amargor equilibrados. Melhor para harmonizar com carnes vermelhas, pratos mais condimentados e queijos fortes.