
Em um momento em que o mel se tornou um produto valorizado e a apicultura está em uma boa fase na região, Neri Oliveira segue um caminho diferente. O apicultor, que prefere ser chamado apenas de cuidador, dedica-se há mais de vinte anos aos cuidados com as pequenas operárias, sem ganhar qualquer lucro em cima, apenas por amor às abelhas.
Em sua propriedade no interior do município de Piratini, Neri instalou caixas do modelo americano para manter colmeias apenas para preservar os enxames e garantir a preservação da espécie. “Eu iniciei em 2002, lembro que era um ano que teve muitas abelhas. Comecei a estudar sobre elas e vi que corriam risco de extinção por causa do desmatamento, agrotóxicos e mudanças climáticas, então resolvi começar a cuidar delas.
No início, eu mesmo construía as caixas para elas viverem”, disse.
Alguns anos mais tarde, por volta de 2018, resolveu investir na produção de mel e, inclusive, venceu o concurso de mel promovido anualmente pela Emater/Ascar-RS e, em 2021, investiu na abertura da primeira agroindústria de Piratini, dedicada a produção de mel.
“Fiz tudo conforme determina a legislação, fiz empréstimo e comprei as caixas do modelo americano para melhorar a estrutura. Em 2019, ganhei em segundo lugar o de qualidade do mel de Piratini. Nesse ano, resolvi mudar elas para mais perto da mata nativa e, em um próximo concurso que participei, eu ganhei em primeiro lugar”, contou.
Mas as coisas não saíram como planejado e, em 2024 a agroindústria Cerro do Ubaldo, encerrou as atividades. “Pensei em crescer e até contratar pessoas para trabalhar, mas o negócio não tem lucro. No último ano, como não estava tendo retorno acabei doando todo o mel para os vizinhos e instituições do município. Encerrei as atividades, sai com prejuízos e endividado, mas mantive as caixas para preservar as abelhas, sem obter nenhum tipo de ganho. Elas são maravilhosas. Quero sempre cuidar delas”, afirmou.



