Previsto para ocorrer ainda este ano, o julgamento do policial militar Edelmiro Mendonça Furtado, 44 anos, e de seu irmão, Armando Mendonça Furtado, 49 anos, acusados de matar os também irmãos Hermínio e Horaci da Rosa Ávila, 33 e 36 anos, homicídios que ocorreram em março de 2016 no Corredor do Kubischek, zona rural de Piratini, teve um novo capítulo na última sexta-feira (28) quando o juiz da comarca, Igor Guerzeroni Hamade, representou pelo desaforamento do processo, o que na linguagem jurídica significa que o julgamento dos acusados deve ser realizado em outra cidade, neste caso, Pelotas.
Em entrevista à reportagem, Hamade justificou a representação alegando inclusive a falta de segurança, já que além dos dois principais acusados, será julgado ainda Luis Carlos Borges, também responsabilizado pelos homicídios, e Armando Furtado, pai do PM e de seu irmão, sob a acusação de formação de milícia.
“Serão quatro réus em um único julgamento, este foi um caso que gerou grande mobilização popular, portanto entendo que, além de o Fórum não possuir servidores suficientes para um júri dessa dimensão, a Associação Atlética Banco do Brasil (AABB) também não oferece a estrutura a qual necessitaríamos. Também vejo problemas para garantir a segurança de todos”, justificou o magistrado.
Mesmo diante dessa situação, pois a palavra final será do Tribunal de Justiça do Estado, Hamade entende que o órgão superior deve se pronunciar rápido sobre seu pedido. Sendo assim, ele acha que o novo trâmite não será prejudicial no que diz respeito à realização do julgamento antes do final do segundo semestre de 2019.
Mesmo que o titular da comarca não tenha alegado a parcialidade, ou seja, que dado ao clamor popular os réus já estariam propensos a condenação antecipada antes mesmo de um julgamento justo, uma das justificativas para que se sugira o desaforamento. O criminalista Ricardo Cantergi, defensor dos acusados, fez contato com a reportagem para afirmar ser contra a formação do Tribunal do Júri em outra comarca, o que a família das vítimas temia que a defesa fizesse.
“Sou contra o desaforamento, pois não costumo representar neste sentido. É inadmissível que o Juízo decline da sua competência de presidir o julgamento do feito, retirando da população da cidade a possibilidade de julgar seus pares quando nenhuma das partes assim entende pertinente. Sempre deixamos claro de maneira cristalina que não tentaríamos desaforar o pleito, pois confiamos na sobriedade do povo de Piratini, bem como nas ponderações acerca dos ideais de justiça”, disse o defensor.
O criminalista adiantou que vai pedir a soltura dos seus clientes, uma vez que estes estão encarcerados a mais de três anos sem que haja o julgamento a qual estes têm direito, e onde assegura será possível provar que não houve um crime, e sim, legítima defesa.
“Vamos requisitar a liberdade de Edelmiro e de Armando, pois agora quem está atrasando o júri é a própria justiça”, assegura Cantergi.




