Acusados de matar irmãos em Piratini serão julgados em Pelotas

O criminalista Ricardo Cantergi discorda sobre Piratini não ter condições de realizar o júri (Foto: Nael Rosa/JTR)

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) atendeu o pedido do juiz da Comarca de Piratini, Igor Guerzeroni Hamade, em transferir o julgamento do policial militar Edelmiro Mendonça Furtado, de 44 anos, e seu irmão, Armando Mendonça Furtado, de 49. Eles são acusados de matar os irmãos Hermínio e Horaci da Rosa Ávila, em março de 2016, na zona rural do município.

O julgamento deles e de outros dois envolvidos no crime ainda terá dada marcada, ficando o Tribunal do Júri a cargo do magistrado Régis Adriano Vanzim e do promotor José Olavo dos Passos, ambos da 1ª Vara Criminal. Passos também atua como promotor substituto em Piratini, portanto já estava atuando no caso.

A instância superior aceitou os argumentos de Hamade, que entre outros pontos, alegou que o Fórum ao qual está à frente não possui material humano para gerir um julgamento dessa proporção, com quatro réus e sem a segurança necessária por ser um crime de grande comoção popular.

O criminalista Ricardo Cantergi, um dos defensores dos que responderão pelos homicídios, conversou com a reportagem logo após a decisão. Segundo ele, isso poderá atrasar a realização do julgamento e se transformar numa incógnita do rumo que este vai tomar.

“Há um claro prejuízo com essa decisão. Agora ficou impossível saber se isso vai ajudar ou prejudicar meus clientes, pois tiram da comunidade de Piratini, que é quem conhecia ou conhece os envolvidos no fato, o direito de julgar os seus semelhantes”, disse o advogado de defesa.

Ele discordou dos argumentos usados para o Desaforamento e se mostrou indignado com todos eles. “Ouvi que Piratini não possuía hotéis capazes de comportar todas as pessoas interessadas no julgamento, o que não é verdade, já que o município possui dois bons hotéis. Também ouvi alegações da falta de segurança, pois que formassem uma força capaz de garantir a ordem durante o júri. Enfim, vamos para Pelotas fazer a defesa, mas será que as testemunhas irão?”, indaga Cantergi, que, diante da decisão revelou que vai entrar com um Habeas Corpus requisitando a liberdade dos réus, pois estes estão presos sem que sejam submetidos ao julgamento ao qual tem direito, o que pode novamente não ocorrer este ano.

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