
Por estar no lugar errado, na hora errada, mesmo não tendo nada a ver com as desavenças desencadeadas por motivo passional entre Wagner de Oliveira Teixeira, de 43 anos, e Ricardo Farias Telles, de 52, Solismar Cardoso da Martha, o Castelinho, homem simples, trabalhador e integrante de uma das dezenas de famílias que residem no 5º Distrito, na zona rural de Piratini, acabou sendo a única vítima de um crime cruel ocorrido na noite de 25 de janeiro, no bairro Calcário.
Informações obtidas pelo JTR dão conta de que o homem, de 52 anos, ainda agoniza na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Cristo Redentor, em Porto Alegre, respirando com a ajuda de aparelhos, alternativa encontrada pela equipe médica para se mantê-lo vivo, o que foi necessário devido ao paciente estar com 95% do corpo queimado.
“De acordo com os médicos, o estado de saúde de meu tio não piorou, mas também não melhorou, está estável. Continua da mesma maneira de quando ele deu entrada no hospital: gravíssimo, na verdade, crítico”, informou um sobrinho de Castelinho.
“Do pescoço para baixo tudo foi atingido, está com queimaduras de terceiro grau. Lamentamos. Meu tio é uma pessoa boa”, afirma parente do homem queimado vivo dentro do Volkswagen Gol enquanto dormia.

O autor do fato, Wagner Teixeira, possui extensa ficha criminal, incluindo homicídio, já tendo passado um longo período recluso no Presídio Estadual de Canguçu – para onde retornou logo após cometer o crime.
O carro que Teixeira ateou fogo para se vingar de Teles pertence ao pedreiro e a desavença entre ambos tem como pivô a ex-companheira do incendiário que, no momento, convive com seu desafeto. Na manhã de terça-feira (18), Teles aceitou conversar com a reportagem JTR, quando confirmou que ele e criminoso mantinham uma inimizade acirrada.
“Sim! Ele [Wagner] já havia ido duas vezes a minha casa na tarde do fato e, à noite, quando eu estava na praça do Palanque, passou três vezes por mim, mas nada fez. Foi um crime horrendo, covarde, absurdo e contra uma pessoa humilde que nada tinha contra ele e com o nosso problema”, lamentou o proprietário do veículo.
“Eu lamento ainda mais por tal covardia, que em mim está doendo, porque eu era o alvo, eu é quem deveria estar no carro, já que ele é meu. Dez minutos antes de ser incendiado, chamei o Castelinho para dentro, viesse dormir, já que morava comigo. Ele disse que ficaria mais um pouco e acabou pegando no sono”.
Teles revelou que, ao dar seu depoimento na Delegacia de Polícia local, chorou ao lembrar que presenciou o amigo ainda pegando fogo mesmo após ser socorrido. “Sim, um de meus parentes, o Giovane, que o acompanhou, jogou um balde d’água nele. Ainda saía fumaça do corpo. Mas até ele dar entrada no Pronto Atendimento do hospital, ele estava consciente e foi quem revelou ter sido o Wagner a colocar fogo no Gol”.
Ele conclui a entrevista afirmando que espera estar vivo para assistir ao julgamento e a condenação de Teixeira. “Olha, eu não me alimento e nem durmo mais desde que esse ato, que repito, foi covarde. Eu era para estar no lugar do Castelo. Queimar uma pessoa viva é algo desumano. A imprensa tinha realmente que expor esse absurdo. Parecia que todos estavam com medo de falar. Tenho consciência de que vai demorar, mas espero ter saúde e estar vivo para assistir o Wagner pagar pelo que fez”.



