Pinheiro Machado: Lidiane Perlin é um exemplo de resiliência e superação

Lidiane com o marido e os filhos (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)

O mês de março é marcado por homenagens às mulheres, que reconhecem e valorizam todas que lutam e desbravam novos horizontes todos os dias. Mulheres são sinônimos de força, coragem, determinação, perseverança e ousadia.

A reportagem conversou com uma mulher forte que superou limites, encarou a dor e diariamente supera dificuldades. Lidiane da Silva Perlin, de 39 anos, funcionária pública, casada e mãe de dois filhos conta que teve uma infância feliz. Natural de Bagé, mas por muitos anos residiu em Candiota, onde morava com os pais e a irmã. “Fui criada de forma humilde. Meu pai era operário e minha mãe era faxineira. Tive uma infância divertida, brinquei muito, fiz muita arte que me renderam bons castigos. Enfrentávamos as dificuldades normais de uma família de classe média na época. Meus pais faziam de tudo para que nada nos faltasse e também sabiam dizer não quando a gente queria alguma regalia”, declarou.

Lidiane foi boa aluna e sempre estudou em escola pública. “Não era nota dez, mas me empenhava bastante. Sempre pensava em fazer bonito, impressionar os meus pais e professores, gostava da cor azul no boletim, eu já era gremista”, confessou aos risos.

Aos 14 anos, Lidiane decidiu que precisava de uma renda, passando a dar aulas de reforço para as crianças da rua onde morava. “A sala da casa dos meus pais se transformou em sala de aula. Cheguei a ter dez alunos e essa aventura durou cerca de cinco anos”, contou.

“Com 19 anos, tive meu primeiro trabalho formal, fui estagiária na Prefeitura de Candiota e à noite viajava para Bagé, onde cursei Técnico em Contabilidade. Me casei e passei a morar em Pinheiro Machado. Aos 23 anos, enquanto cursava Pedagogia, descobri que seria mãe, estava grávida da minha menina Gabriela. Dei continuidade no curso, fiz estágio com um barrigão e na formatura ela me entregou o diploma”, relatou.

A vida seguiu o seu ciclo e vieram novos desafios: o trabalho autônomo, o artesanato, a venda, até ser aprovada no concurso público. Em janeiro de 2006, Lidiane foi chamada para assumir a vaga do concurso em Candiota. A conquista do emprego encheu o coração de felicidade e era motivo de alegria percorrer alguns quilômetros até o local de trabalho.

Era sexta-feira, 26 de outubro de 2006, Lidiane estava cheia de planos, de sonhos e pronta para curtir o fim de semana com a família. Encerrou as atividades, pegou o ônibus e voltava pra casa. Um grave acidente mudou os planos de Lidiane e a rotina dela. “O ônibus que eu retornava para casa tombou, deixando 27 pessoas feridas. Fiquei em coma, entre a vida e a morte, sofri amputação de braço e diversas cicatrizes”, contou.

Foram 31 dias de internação, medo, dores, choro, 14 cirurgias, fisioterapias e adaptações. “No hospital eu só pensava que estava viva, em casa é que veio a questão da estética e abalou a autoestima. O apoio da família, do marido, dos amigos foi fundamental para a minha recuperação”, lembra.

“A luta é diária. Hoje sei que cada dia tem seu propósito. Tenho dias bons e dias ruins, tenho TPM, cansaço, desânimo, busco me conhecer, me amar, só o amor próprio nos faz crescer”, frisou.

Resiliente e determinada, Lidiane superou as adversidades, retomou os estudos, voltou a trabalhar e decidiu ser mãe outra vez. “Seis anos depois do acidente decidimos ter o segundo filho, veio nosso querido Miguel, mais adaptações, muitos choros e também muito sorrisos. Com ajuda do meu marido e da minha filha tudo se resolveu e foi tranquilo”, concluiu.

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