Secretária Estadual de Saúde, Arita Bergmann tem atuação em contratos no setor investigada pela PF

A secretária estadual de Saúde, Arita Bergmann. (Foto: Divulgação/SES)

A secretária estadual de Saúde, Arita Bergmann teve o celular apreendido no âmbito da operação Septicemia, da Polícia Federal, que cumpriu, no dia 7, mandados de busca e apreensão no estado e realizou quatro prisões temporárias, sobre suposta organização criminosa voltada à fraude em licitações e desvio de recursos públicos em contratos de saúde, além de possíveis esquemas de corrupção. Na região, foi realizada em municípios como Rio Grande, Piratini e São Lourenço do Sul.

Ela se tornou alvo após conteúdos encontrados em outra operação, a Autoclave, de 2019, que tinha como foco irregularidades na gestão de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), em São Leopoldo, por uma Organização da Sociedade Civil (OSC). Mensagens armazenadas no celular de um dos investigados, divulgadas por GZH, datadas de 2017, apontam suspeitas de participação em montagem de licitação, em período em que Arita era titular da Saúde em São Lourenço do Sul. A organização, no entanto, firmou contratos com o município somente após a saída de Arita. Em outra frente, a organização também fez contrato para administração da UPA Areal, em Pelotas. No local, um dos filhos de Arita atuou como coordenador de serviços o que, de acordo com a investigação, demonstraria a proximidade entre Arita e a OSC.

Questionado sobre a situação de Arita no cargo, o governador Ranolfo Vieira Júnior (PSDB) afirmou, na segunda-feira (19), durante evento de  entrega da nova sede da Secretaria Estadual da Segurança Pública, que ela permanece à frente da pasta.

Em São Lourenço do Sul, vereadores promoveram o pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito com objetivo de apurar eventual prática de improbidade administrativa em relação aos processos licitatórios, contratos, convênios e parcerias desde 2017 até o momento. Em nota, a Prefeitura de São Lourenço do Sul informou que está colaborando com as investigações e os contratos serão mantidos. “A Prefeitura municipal está contribuindo de forma muito transparente com as investigações da PF e se mantém aberta a dividir qualquer tipo de informação que a mesma solicitar. No momento todos os contratos se mantém da mesma forma. Inclusive através do portal transparência, a Prefeitura municipal divide com a população todos os dados de contratos”, informa.

A Prefeitura de Pelotas indicou que acompanha o caso com atenção, mas destacou que Arita foi titular da Saúde no município até dezembro de 2016 e que o primeiro contrato que assinado com a OSC foi em dezembro de 2019. “Não há, portanto, qualquer vínculo possível, como também não há qualquer intimação ou pedido de informação por parte das autoridades, até o momento”.

Em nota à reportagem, Arita disse estar à disposição da Justiça, colaborando desde que tomou ciência do fato. “A respeito do referido caso, informo que, assim que tomei ciência dos fatos, há duas semanas, comuniquei ao governador e registrei à Polícia Federal o meu compromisso com a responsabilidade, probidade da gestão com a saúde do Rio Grande do Sul e com a transparência de todos os atos realizados, assim como ofertei formalmente, desde o dia da ação, a disponibilidade para levantamento de quaisquer dados sob sigilo, inclusive bancários e telemáticos. Cabe ressaltar, ainda, que, levando em conta o que já é de conhecimento público quanto ao teor da investigação, a operação visa apurar contratos firmados com municípios, não havendo qualquer relação com a gestão de saúde estadual e serão devidamente esclarecidos às autoridades e à sociedade gaúcha, como sempre fiz em toda a minha vida pública”, disse.

Reportagem atualizada às 13h45 para incluir manifestação da Prefeitura de São Lourenço do Sul

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