Uso de arado puxado a bois sobrevive no interior de Pelotas

Família Baush trabalha com a cultura do tabaco e começa a introduzir pomares de pêssego. (Foto: Adilson Cruz/JTR)

Nos rincões do interior de Pelotas, uma antiga tradição permanece viva em uma pequena propriedade: o uso do arado puxado por uma junta de bois. Na propriedade da família Bausch, que tem no tabaco o seu carro-chefe, a maior parte do trabalho é feito com o trator, mas a força dos animais segue sendo usada quando preciso.

“Os bois são usados para aterrar o fumo”, contou Gilson Bausch, um dos três irmãos que tocam a propriedade. Segundo ele, quando a terra está muito úmida, devido ao excesso de chuvas, fica mais difícil de entrar com o trator. “Com os bois, parou a chuva dois dias depois já dá para entrar na lavoura”, ressaltou. O trabalho com os animais é de responsabilidade do irmão mais novo, Armindo Bausch.

A média de produção do tabaco na propriedade gira em torno de 25 a 26 toneladas, mas na última safra, por motivo de doença na família, tiveram que reduzir a área e a produção chegou a 16 toneladas, diz. O grande problema é o trabalho envolvido com a cultura, que utiliza na sua maioria a mão de obra familiar, disse.

Arado puxado por junta de bois é usado quando o solo está muito úmido. (Foto: Adilson Cruz/JTR)

Além disso, a fim de diversificar a atividade, eles se dedicam também à cultura do pêssego, que segundo ele, nos dois últimos anos, por causa das condições climáticas, teve a produção frustrada em algumas variedades. A expectativa é com relação a quebra da dormência e floração das plantas, o que deve ocorrer ainda no mês de julho. De acordo com Gilson, até agora, as horas de frio necessárias para a quebra de dormência e floração adequada estão satisfatórias. “Tem que esperar a planta começar a brotar para ver o que vai acontecer”, ressaltou. O trabalho no pêssego gira agora em torno da poda e condução do pomar.