
A chegada da frente fria no meio da semana impediu a navegação no estuário da Lagoa dos Patos e antecipou o fim da safra de pescado no sul do Estado. Entre os meses de junho e outubro, a atividade fica proibida devido ao período de reprodução das espécies — o chamado defeso.
Em um verão ainda marcado pelos impactos das enchentes do inverno anterior, a produção dos pescadores artesanais de Rio Grande, Pelotas e São Lourenço do Sul foi salva pela tainha, enquanto a safra do camarão frustrou as expectativas. Com os preços abaixo dos registrados no ano passado, as comunidades pesqueiras enfrentarão um entre-safras de dificuldades, especialmente para custear a preparação da próxima temporada, que inclui a captura da corvina, prevista para o último trimestre do ano.
Em Rio Grande, sede da Colônia de Pescadores Z1, a produção de tainha deve atingir cerca de 2 mil toneladas. O volume é considerado satisfatório, mas o valor pago pelo pescado tem decepcionado.
“O nosso problema é o preço pago ao pescador, que ficou bem abaixo do praticado aos consumidores. O pescador está recebendo entre R$ 3 e R$ 3,50 pelo quilo da tainha, enquanto o camarão foi vendido, no fim da safra, por R$ 12, mas no início chegou a ser entregue por R$ 5 o quilo”, relata o presidente da Z1, Nilton Machado.
A mesma realidade se repete nas outras cidades. De acordo com os presidentes das colônias, os valores pagos inviabilizam a compra de apetrechos essenciais para a próxima temporada, como motores, peças mecânicas e redes.
“O pescador vai ter que contar com o seguro defeso. Ele não conseguiu fazer reserva para complementar os quatro meses de defeso, que giram em torno de um salário mínimo por mês. Então, o inverno vai ser difícil. Não vai ser nada fácil, principalmente na hora de se preparar para a retomada”, comenta Ivan Kuhn, presidente da Colônia Z8, de São Lourenço do Sul.
A situação também é delicada na Colônia de Pescadores Z3, onde, segundo o presidente Nilmar Conceição, será fundamental o apoio dos governos estadual e federal.
“Precisamos de linhas de financiamento ou algum tipo de auxílio direto para o custeio da safra. Só assim os pescadores conseguirão fazer os investimentos necessários para voltar a trabalhar após o defeso”, alerta.



