Arroz não é tudo igual. As diversas variedades existentes e as formas de diferenciá-las foram apresentadas a grupo formado por técnicos, pesquisadores, jornalistas, chefs de cozinha, nutricionistas e representantes da indústria durante o curso Sommelier do Arroz, realizado na tarde de segunda-feira (11), pelo sommelier italiano Massimo Biloni, especialista na cultura do cereal. O pesquisador da Embrapa Clima Temperado e presidente da Sociedade Sul-Brasileira de Arroz Irrigado (Sosbai), André Andres, deu as boas-vindas ao convidado e destacou que o evento pré-congresso veio ao encontro da missão das duas instituições, que é promover o encontro de pessoas para compartilhar conhecimentos.
Biloni está em Pelotas para participar do 13º Congresso Brasileiro de Arroz Irrigado, que iniciou na terça-feira (12). Ele participou, na quarta-feira (13), do painel “Mercado de Arroz na Europa: cultivares e consumo”. Falando sobre a temática, o sommelier ressalta que são cultivadas 140 mil variedades diferentes de arroz no mundo. Somente na Itália, são mais de 180 variedades cultivadas a cada ano. “Através da análise sensorial, se busca as respostas sobre qual variedade é melhor que a outra e, para isso, é preciso conhecer as características de cada uma”.

Segundo Biloni, outros produtos – como vinho, queijo e óleo de oliva – têm análise sensorial e, no caso do arroz, se acreditava que a diferença estava na forma de preparo do cereal. “A ideia geral era de que fatores, como variedade, produção, onde se cultiva, não contavam para a qualidade do arroz, até que em 2015, foi formada na Itália, por quatro pessoas que pensavam diferente, a Acquaverderiso, a primeira sociedade de análise sensorial aplicada ao arroz”, explicou.
A ideia da análise sensorial do cereal já era defendida desde 1999, pelo agrônomo italiano Antonio Tinarelli. Em dez anos da Acquaverderiso, já foram realizados 14 painéis, 26 cursos e 80 encontros de análise sensorial do arroz. Biloni conta que, em sua 27ª edição, o curso de Sommelier do Arroz, já era realizado em vários países – como Itália, Alemanha, Espanha e Argentina – e mudou a perspectiva de produtores, representantes da indústria e consumidores sobre a influência destes fatores na qualidade do arroz. “A ideia não é apenas comer, antes de comer é preciso conhecer”, ressaltou.
Depois de apresentar sobre as principais variedades, com ênfase naquelas cultivadas na Itália, Biloni propôs aos participantes a realização de rápidos exercícios de análise sensorial de alguns tipos de arroz cru e cozido, a fim de que listassem características percebidas em cada um, como cheiro e sabor. Segundo o sommelier, para uma análise detalhada, é preciso um número maior de horas, por isso, o curso costuma ter duração maior.
Quem é Massimo Biloni
Especialista na cultura do arroz e pesquisador da Italian Rice Experiment Station (Ires), fundada em 2017. A Ires oferece sistemas eficientes, habilidades profissionais e competência reconhecida para apoiar empresas e institutos na pesquisa e no desenvolvimento do mercado de arroz.

Empreendedor, degustador de arroz e escritor, Biloni se considera um apaixonado pelo cereal. “Adoro agricultura, conhecer pessoas e o arroz no mundo todo, encontrar soluções, desenvolver variedades e difundi-las, do campo ao prato”, comenta. Trabalhou também como responsável pelo Departamento de Melhoramento de Arroz na Ente Nazionale Risi e como diretor-geral em uma cooperativa dedicada ao melhoramento e à comercialização de sementes na Bacia do Mediterrâneo. É autor, junto com Valentina Masotti, do “Il Libro del Riso Italiano”, editado em 2017. Além disso, leciona em uma Escola Superior de Arroz, em Vercelli. “Meus trabalhos me deram a oportunidade de conhecer profundamente o arroz e seus mercados, na Itália, na Europa e em diversos países do mundo”, explica.
13º Congresso Brasileiro do Arroz Irrigado
O 13º Congresso Brasileiro do Arroz Irrigado iniciou na terça-feira (12) e se estende até sexta-feira (15). O evento ocorre nas dependências do Sesi e Clube Brilhante, em Pelotas, sendo promovido pela Sociedade Sul-Brasileira do Arroz Irrigado (Sosbai) e pela Embrapa. O encontro conta com a participação da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) e algumas das principais universidades do Estado, como a Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). O Congresso deve reunir cerca de 700 participantes durante os quatro dias de programação.
Na noite de terça-feira, após a realização de seis minicursos simultâneos a cada turno, ocorreu a “Conferência Magna Semeando Conhecimento, alimentado o Brasil”, apresentada pelo engenheiro agrícola Paulo Hermann, da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs-RS). Logo após, foi realizada a sessão solene de abertura do Congresso. Todas as atividades acontecem no auditório do parque do Sesi Pelotas.
O Congresso tem a participação de pesquisadores, professores, técnicos, profissionais ligados ao agronegócio, estudantes e produtores e apresenta inovações científicas e resultados de pesquisas direcionadas ao setor orizícola.




