Rodrigo Prestes é o novo chefe do escritório da Emater Pelotas

Prestes substitui o engenheiro agrônomo Francisco Arruda, que se aposenta das suas funções. (Foto: Divulgação)

Com 15 anos de Emater/RS-Ascar, o engenheiro agrônomo Rodrigo Prestes, de 38 anos, é o novo chefe do escritório municipal da Emater Pelotas, que completa 70 anos de atividades em fevereiro de 2025. Prestes substitui o também engenheiro agrônomo Francisco Arruda, de 61, que se aposenta de suas funções após quase 35 anos de casa, 31 deles atuando no escritório local, sendo 13 no exercício da chefia. Para Arruda, que pretende viajar pelo Brasil e aproveitar um pouco a vida ao lado da esposa Jane, ele ficará muito bem representado, já que o agrônomo trabalha ao seu lado, em perfeita sintonia, e chegou em Pelotas apenas dois anos depois de ter assumido a chefia, em 2013. “Construí um sucessor, pessoa maravilhosa, inteligente, com mestrado e incentivo para que faça doutorado”, ressaltou.

Natural de Pelotas, antes de se fixar no escritório local, Prestes atuou nos escritórios da Emater em Herval e Arroio Grande. Ele conta que pode acompanhar Arruda desde o começo da sua jornada como chefe e lembra que o escritório já passou, neste período, por vários locais (Casa dos Conselhos na rua Três de Maio, avenida Bento Gonçalves e, atualmente, junto à Estação Rodoviária) e, neste momento, planeja uma nova mudança. Porém, o local ainda não está definido. “Apesar da idade, eu sou um dos mais antigos aqui. A maioria dos colegas chegou depois”, afirmou.

Segundo Prestes, trabalhar na extensão rural em Pelotas é um grande desafio pela diversidade de públicos e de culturas. “Aqui, temos praticamente todos os públicos do trabalho da extensão. Além de Pelotas produzir de tudo, desde grãos, frutíferas, hortaliças, pecuária e isto requer uma capacidade muito grande, é preciso saber um pouco de tudo”, salientou. O agrônomo apontou que esta é uma característica muito valorizada na rotina do escritório. Outra peculiaridade diz respeito à diferença de solos em que uma parte produz arroz e outra produz frutas.

Com a meta de atender um público de 1,1 mil famílias por ano, a alta demanda sempre leva a superar os atendimentos. “Este ano, vamos passar de 1,3 mil famílias atendidas”, destacou. Prestes explicou ainda que a Emater trabalha com um planejamento em cima de um ano normal, mas acaba se envolvendo em aspectos que não são de sua alçada, porém, que repercutem em seu trabalho, como por exemplo, as enchentes que acabaram atingindo os pescadores artesanais, um dos seus públicos. “Nas questões climáticas, como excesso de chuvas, seca, a Emater acaba se envolvendo para ajudar o produtor na conta, na prorrogação de dívidas, acionar benefícios de programas de governo, etc.”, disse.

O foco principal da instituição é auxiliar o produtor na propriedade, desde a produção, comercialização e organização. No entanto, a Emater não deixa de atender nestes momentos de dificuldades oferecendo construção de um laudo que serve como base para a Prefeitura decretar situação de emergência ou calamidade. “Em outros momentos, nos envolvemos em situações que só acabam enxergando o resultado final financeiro, como a organização de uma feira do morango, do pêssego, da uva, pescadores”, pontuou.

Conforme Prestes, a Emater está presente junto com a Prefeitura desde a escolha e liberação do local, criação do grupo, organização de escala, regras. “Hoje, nosso trabalho é bastante forte na área do assessoramento e organização”, sublinhou.

A Emater assessora também cooperativas e participa de comitês. “A gente se cobra muito de estar no interior, mas este trabalho também é importante”, destacou.

A expectativa é de que a função de chefia não o afaste do trabalho de campo. “A ideia não é parar de estar junto dos produtores, principalmente das áreas de fruticultura que eu atendo, como o pêssego, morango e uva, e da irrigação”, disse.

Na opinião do novo chefe, a empresa tem outro grande desafio que é o de mostrar à população da cidade quem é e o que faz a Emater. “O produtor nos conhece, mas o público da cidade sabe quem somos e o que fazemos?”, questionou. A intenção é mostrar que Pelotas é referência nas culturas de pêssego e morango e na área de grãos, além de dar visibilidade ao trabalho realizado pela extensão. Segundo Prestes, a Emater depende de recursos públicos advindos de parcerias com os governos estadual e municipal, que funcionaram muito bem nos últimos anos, com apoio e reconhecimento.

Francisco Arruda

Filho de agricultores, Arruda lembrou um pouco de sua trajetória desde seu primeiro contato com as atividades agropecuárias, na pequena propriedade localizada no Rincão da Hidráulica, 9º distrito de Pelotas. “Desde cedo, auxiliava os meus pais na condução da propriedade, que tinha como atividade prioritária, a produção de leite”, salientou.

Mesmo após deixar a casa dos pais, em 1978, e vir para o meio urbano para estudar e trabalhar, nunca perdeu o vínculo com a ruralidade. Em 1980, ingressou no Conjunto Agrotécnico Visconde da Graça (CAVG) para cursar o Técnico em Agropecuária. O início da vida profissional foi como técnico, em Santa Vitória do Palmar, assessorando propriedades produtoras de arroz.

O curso de Engenharia Agronômica veio em 1987, quando ingressou na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), concluído em 2008. Antes disso, em 1990, ingressou na Emater e foi trabalhar com a classificação de grãos, em Jaguarão. Em 1993, retornou a Pelotas como extensionista rural no escritório local e assumindo a chefia em 2011.

Entre as áreas a que se dedicou, Arruda salientou as grandes culturas, agroindústrias e bovinos de leite. Destaque para a área de manejo e conservação do solo, dando início ao plantio direto. O desenvolvimento rural sempre foi uma de suas metas, buscando fomentar e valorizar os processos de formação de grupos informais e formais de agricultores, valorizando também a sua categoria profissional.

Nos últimos oito anos, ocupou cargos na diretoria da Associação dos Engenheiros Agrônomos de Pelotas (Aeapel) e, também, a presidência do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural, em 2016. “O sentimento é de dever cumprido. Me dediquei ao máximo, mas é claro que sempre achamos que podíamos ter feito algo diferente”, ressaltou.

Arruda acredita que o fator de vir de uma família rural lhe ajudou a entender melhor a política da Emater, que vai além da assistência técnica e abrange a área social. “Aprender a ouvir as pessoas e aplicar as políticas sociais de acordo com as necessidades das famílias, onde elas mais precisam para o bem-estar e, principalmente, para reduzir a penosidade”, disse.

Nestes mais de 30 anos, acumulou histórias de assistidos e de como ajudou muitas famílias a buscarem melhores condições de vida e de trabalho no campo, lançando mão das políticas públicas oferecidas a fim de proporcionar acesso a recursos. “Pelotas tem uma colônia muito grande e todos os públicos, desde o pescador artesanal, cinco quilombos, duas tribos, assentamentos da reforma agrária e tivemos um grande apoio do poder público”, assegurou. Ele se orgulha da equipe do escritório, que considera muito completa, formada por quatro agrônomos, dois assistentes sociais, dois técnicos agrícolas, um sociólogo e um veterinário, que dão conta do trabalho. “Nós temos um contrato com o governo do Estado e com os prefeitos, que acompanham de perto todo o nosso trabalho”, destacou. Arruda elogiou ainda a atenção sempre dispensada pela atual prefeita Paula Mascarenhas (PSDB) e apontou a parceria do prefeito eleito, Fernando Marroni (PT), com a Emater.