Projeto Quintais fecha 22º ano de atuação com mais de 76 mil beneficiários diretos

Projeto visa fornecer mudas de plantas e fomentar a cultura orgânica em quintais caseiros. (Foto: Luciara Schneid/JTR)

O projeto “Quintais Orgânicos de Frutas” da Embrapa Clima Temperado fecha seu 22° ano de atividades com 76.703 beneficiários diretos, ou seja, 3.395 agricultores assentados, 9.461 agricultores familiares, 50.080 alunos, 2.772 indígenas, 927 quilombolas e 10.068 pessoas ligadas a instituições assistencialistas. Ao longo de 2025, foram implantados 2.678 quintais em 259 municípios, 257 deles no Sul do Brasil e dois no Uruguai. Das 445.315 árvores plantadas, 214.215 são frutíferas e o restante de quebra-ventos.

Entrando agora em seu 23° ano de atuação, o projeto se mantém firme no propósito de desenvolver atividades que contribuam para a biodiversidade, sustentabilidade, saúde, capacitação e geração de emprego e renda.

“A meta para 2026 é estabelecer parcerias técnicas e financeiras com novas fontes, a fim de fortalecer ainda mais o suporte aos quintais existentes e incentivar o plantio de novos, promovendo a sustentabilidade e a segurança alimentar na região”, afirma o coordenador do Quintas, Fernando Costa Gomes. Segundo ele, a média histórica de plantio do projeto, gira em torno de 150 quintais por ano. “Nos últimos dois anos, enfrentamos desafios que resultaram na redução desse número para 17 quintais anuais”, ressalta.

Tendo sua base na unidade Cascata, o projeto possui expertise, infraestrutura técnica, operacional e de gestão, que permitem ampliar suas atividades na região, com a grande maioria das mudas oferecidas aos quintais sendo tecnologias geradas dentro da própria Embrapa. O local é dotado de estufas para a produção e condução das mudas até atingirem o porte para plantio e formação dos quintais e também possui áreas experimentais para observação e estudo das espécies de acordo com as condições de clima, solo e pragas.

Todavia, a Embrapa não dá apenas a muda, ela ensina o plantio e oferece acompanhamento técnico pelo tempo necessário para as plantas começarem a dar frutos. “Além de garantir um alimento mais saudável às famílias, o projeto incentiva a diversificação produtiva nas propriedades e pode se constituir futuramente numa fonte de renda”, diz a gerente técnica do projeto, Giovana Santin. As visitas técnicas realizadas pelos agrônomos do projeto aos quintais implantados incluem orientação sobre poda, reposição de mudas e entrega de produtos fitossanitários.

Fruta saudável produzida em casa

Proprietária da Agroindústria Casa Amarela de derivados de leite, localizada no Cerrito Alegre, 3° distrito de Pelotas, a produtora Denise Igansi, implantou há três anos, um quintal orgânico em sua pequena propriedade, por influência do ex-
marido, que conheceu o projeto e achou interessante. “No primeiro ano, já colhi goiabas e, no ano passado, fiz doce com a fruta”, conta.

Contando com pitanga, amora, pêssego e uva em plena produção, as frutas passaram a fazer parte da alimentação da casa, em doce ou in natura. “O pêssego é do branco, muito gostoso para consumo in natura”, diz. Segundo Denise, com o tempo e dependendo da produção, espera incluir as frutas no seu negócio, hoje restrito a derivados de leite. Conforme projeta, a implantação de um colha e pague, também pode ser um empreendimento futuro.

Os manejos incluem a poda, colocação dos produtos fitossanitários e manutenção do pomar limpo. “Toda a propriedade deveria ter um quintal, porque no geral, as propriedades não têm fruta para o consumo próprio”, ressalta. Segundo ela, além de ser mais saudável produzir o seu próprio alimento isto gera uma grande economia no orçamento da família.

Pesquisador e coordenador do projeto, Fernando Costa Gomes, a proprietária da agroindústria Casa Amarela, Denise Igansi e a gerente técnica, Giovana Santin, na localidade de Cerrito Alegre, 3º distrito de Pelotas. (Foto: Luciara Schneid/JTR)

Além disso, para a produtora, acompanhar o processo da planta se desenvolvendo, a flor se transformando em fruta, é terapêutico. “Além do cuidado com a planta, que ajuda a espairecer, é um dinheiro a menos gasto para a aquisição de frutas”, ressalta. Ao todo o pomar tem 20 espécies com três plantas de cada, entre elas, amora, goiaba, butiá, uva, jabuticaba, araçá, caqui, guabiroba, guabiju, romã, laranja, limão e outras. “Vale muito a pena, todo produtor deveria aderir para ter um alimento saudável na sua mesa”, finaliza.

Composição

Quando foi lançado, a composição dos quintais incluía cinco plantas frutíferas de 12 espécies, que foram ampliadas, anualmente, e chegam hoje a 20 espécies, que ocupam área aproximada de 1,6 mil metros quadrados. Desde 2017, são adotadas três plantas frutíferas de cada gênero, em área aproximada de mil metros quadrados, e incluem pêssego, figo, laranja, amora-preta, cereja-do-rio-grande, araçá-amarelo, araçá-vermelho, goiaba, caqui, pitanga, romã, tangerina, limão, guabiju, araticum, uvaia, videira, jabuticaba, guabiroba e butiá. “Estas frutas são selecionadas em função de suas características nutricionais, funcionais e adaptadas à região de clima temperado”, ressaltam os agrônomos do projeto.

Além das espécies frutíferas, também são cultivados feijão, milho, quatro cultivares de batata doce, duas cultivares de cebola e a espécie forrageira BRS Kurumi, assim como espécies de hortaliças e plantas medicinais, diz Costa Gomes. Segundo o agrônomo, as tecnologias desenvolvidas no projeto, tais como novas cultivares, conhecimento das propriedades funcionais dos alimentos que compõem o Quintal, assim como o processo de verticalização ou transformação e agregação de valor aos alimentos tem o objetivo de promover a inclusão social de beneficiários, e de viabilizar a geração de emprego e renda. “Cada Quintal Orgânico de Frutas constitui uma Unidade Demonstrativa ou de transferência de tecnologia dos produtos, processos e serviços gerados pela Embrapa e parceiros”, finaliza.

Além do cultivo, produtos como geleias, vinhos
e sucos naturais são fabricados. (Foto: Luciara Schneid/JTR)

Cronologia e financiadores

– O projeto iniciou em 2003, com recursos do Ministério Extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome (Mesa), uma contrapartida da Embrapa Clima Temperado ao Programa Fome Zero e a implantação de 11 Quintais no Rio Grande do Sul;

– De 2004 a 2016, foi desenvolvido através da parceria Eletrobras CGTEE e Embrapa Clima Temperado e implantados 1.806 Quintais;

– De 2013 a 2018, contou com o apoio da Finep por ter sido agraciado com o prêmio de Inovação na categoria Tecnologia Social (Região Sul e Nacional) e implantados 274 Quintais;

– De março a dezembro de 2019, contou com o patrocínio do Banrisul e implantados 15 Quintais;

– Desde dezembro de 2017, conta com apoio e parceria da Philip Morris Brasil, o que tornou possível a implantação de 572 Quintais.

Premiações

– Certificação de Tecnologia Social, pela Fundação Banco do Brasil em parceria com a Petrobras, em 2007;

– Tecnologia Ambiental, durante a 3ª Edição da Feira Internacional de Tecnologia para o Meio Ambiente (FIEMA) em 2008;

– Tecnologias Socioambientais – Setor Público, durante a 16ª Edição do Prêmio Expressão de Ecologia 2008;

– Tecnologia Social Região Sul e Nacional, pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) em 2009;

– Em 2016 o Projeto foi reconhecido e incluído na Plataforma de Boas Práticas para o Desenvolvimento Sustentável, da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO);

– Em 2017 recebeu o prêmio de parceiro da EFASC;

– Em 2022, foi um dos seis projetos/tecnologias apresentados para que a Embrapa recebesse o prêmio internacional “FAO Champion Award 2022”, considerado a mais alta distinção corporativa mundial em reconhecimento à contribuição significativa e notável para o avanço dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).