Produtos do agronegócio em exibição na 31ª Fenadoce

O agronegócio está representado na 31ª Fenadoce através dos espaços das instituições como o Sebrae RS, com o Salão da Carne, e o Senac e suas Oficinas de Gastronomia (Foto: Luciara Schneid)

O agronegócio está representado na 31ª Fenadoce através dos espaços das instituições como o Sebrae RS, com o Salão da Carne, e o Senac e suas Oficinas de Gastronomia. Na noite de terça-feira, sob a orientação do chef Bryan Chaplin, os participantes da oficina aprenderam a preparar um risoto de carne. A atividade foi fruto de uma parceria entre o Sindicato da Indústria do Arroz de Pelotas (Sindapel) e frigorífico Minerva Foods.

O consultor do Sebrae RS Pelotas, Juliano Bolzoni, explica que o Salão da Carne, novidade nesta edição da feira, tem o propósito de conectar os frigoríficos e agroindústrias com o consumidor final.

“A dona de casa, o jovem que consome carne, que visita o supermercado e compra o produto, queremos mostrar para eles que, cada vez mais, existem diferenças de carnes, seja para bife ou sopa, até podem ser utilizados os mesmos cortes mas existem qualidades diferentes”, disse.

E o foco está sobre a carne produzida no sul do Brasil. “Estamos trazendo informações para o consumidor final na hora da compra como escolher, até o preparo nesta parceria com o Senac”, afirmou.

Chef Bryan Chaplin orientou a oficina (Foto: Luciara Schneid)

Participam frigoríficos e agroindústrias regionais como a Bravo, Alemão, Minerva, Rollof e Coqueiro, que através de parceria com o Senac têm seus produtos apresentados no preparo dos pratos. Ele explica que no momento em que estão sendo realizadas as oficinas, um consultor da agroindústria parceira fala sobre o produto e determinados pontos que o consumidor deve considerar.

Bolzoni explica que a oficina responde dúvidas comuns dos consumidores como, por exemplo: “Comprar carne embalada ou in natura? Como descongelar uma carne da forma correta? Qual a melhor, gordura amarela ou branca?”. Com isso, é chamada a atenção do consumidor final à valorização dos produtos locais e regionais, que têm gado de excelente qualidade. “Muitas vezes é mais valorizada a carne do Uruguai e Argentina, que estão no mesmo bioma pampa do Rio Grande do Sul, mesmo as raças criadas e a forma de produzir serem as mesmas.”

O mundo reconhece o Uruguai e a Argentina e enxerga o Brasil como Centro-Oeste e não o Rio Grande do Sul, salienta. “Temos que posicionar o Rio Grande do Sul e por isso convidamos vários envolvidos com a cadeia produtiva para falar sobre o seu trabalho, e quebrar os paradigmas que ainda se têm em relação à carne e à pecuária”, afirmou.

Minerva Foods está em expansão no RS

Gabriel Beltrão diz que o Minerva Foods chega para valorizar a carne gaúcha (Foto: Luciara Schneid)

O coordenador de relacionamento com o pecuarista, do Minerva Foods, Gabriel Beltrão, explica que a empresa iniciou suas operações no Rio Grande do Sul, no final de outubro do ano passado, com três unidades, Bagé, São Gabriel e Alegrete. O objetivo da empresa é fomentar a pecuária gaúcha, trazer valorização para a bovinocultura, apoiando os produtores e a qualidade de carne do pampa. “A diferenciação que o Rio Grande do Sul tem, em relação aos demais estados, foi visto pelo Minerva como potencial”, declarou.

Hoje o Minerva Foods é o maior exportador de carne bovina da América do Sul para mais de 100 países. Os principais destinos são Europa, Ásia e América do Norte.

Certificação e qualidade

Os cortes apresentados pela empresa durante as oficinas são da marca Pul, com o corte peito, na terça-feira (29) e no domingo (27), foi o contra-filé, explica o coordenador. Segundo ele, foi mostrado para o público a importância da marca por trás do produto e a sua história, além de como reconhecer na gôndola do supermercado se está comprando um produto de qualidade diferenciada, além de como conservar o produto. “Hoje estamos com duas marcas bem fortes no Estado que são a Pul e a Cabanha Las Lilas, marcas do boi gaúcho, produzido no Rio Grande do Sul”, explicou.

Segundo ele, também durante o preparo, ocorre interação com o chef, em que é abordada a importância de trabalhar com carne de qualidade e com procedência, de frigorífico idôneo. “Todas as nossas unidades do Brasil possuem Sistema de Inspeção Federal (SIF) junto ao Ministério da Agricultura, com a inspeção por veterinários do Mapa dentro do frigorífico, o que dá a garantia e a chancela que o nosso produto pode atingir o mundo todo, tem as portas abertas”, ressaltou.

Carne Angus

A veterinpária Daniela Ferreira destaca o reconhecimento da carne Angus no Brasil (Foto: Luciara Schneid)

Outra integrante da iniciativa é a médica veterinária Daniela Pereira Ferreira de Quadros, coordenadora do programa Carne Angus Certificada, programa de certificação de carne bovina da Associação Brasileira de Angus e Ultrablack. “Trabalhamos com as raças aberdeen angus e red angus e o programa nada mais é do que a certificação da carne de qualidade premium”, ressaltou.

No Rio Grande do Sul, o programa possui seis plantas frigoríficas parceiras, duas unidades do Minerva Foods, além dos frigoríficos Silva, Coqueiro, Zimmer e Cooperativa Cotripal.

O Selo da carne angus certificada é muito importante para a representação da raça, que hoje em dia já é reconhecida como uma marca, diz a veterinária. Segundo ela, o trabalho do programa de certificação é realizado junto a frigoríficos parceiros, desde os currais até a expedição destas carnes embaladas e também até o prato.

Na quinta-feira (31), a veterinária participou da oficina com carne angus certificada do frigorífico Coqueiro, de São Lourenço do Sul. O corte escolhido foi o patinho Angus no preparo de bifes à milanesa. “Tirar um pouco o foco dos cortes nobres e apresentar um produto diferente, pois a certificação é aplicada em todos os cortes.”

Desenvolve Pecuária

O Instituto Desenvolve Pecuária também é parceiro da iniciativa e, segundo o produtor rural integrante, Cristiano Gotuzzo, de Piratini, o objetivo é aproximar o consumidor da carne de qualidade produzida no Rio Grande do Sul. “Diferente do resto do país, o Rio Grande do Sul, tem essa capacidade de produzir carne de qualidade e é isto que os frigoríficos parceiros estão apresentando aqui”, afirmou.

Criado há quatro anos, o instituto tem o objetivo de mostrar a qualidade do produto gaúcho e fazer com que o consumidor veja a diferença em relação à carne que vem de outros estados.

“Hoje 70% da carne consumida no estado vem de outros estados do Brasil, um produto com menor qualidade em relação a sabor e maciez”, destacou.

Com este trabalho junto ao consumidor é possível mostrar a qualidade da carne gaúcha e valorizar o produto que vêm das propriedades do Estado, diz. “É uma associação de produtores rurais, de pecuaristas, que buscam melhorar os processos de produção tanto dentro da porteira quanto criar ferramentas para valorização do produto carne para o comércio.”