Produção agroecológica é incentivada na região de Pelotas

Feira Ecológica Terra Limpa foi inaugurada no dia 18 de maio, data em que o CAPA completou 43 anos de história (Foto: Vitória de Góes/JTR)

No Brasil, a cada ano tem aumentado o número de consumidores que buscam por alimentos orgânicos e com procedência agroecológica. Dessa forma, algumas organizações têm encorajado produtores a deixarem a monocultura para investir em produções que reduzam os danos à biodiversidade e ofereçam maior qualidade de nutrientes à sociedade.

A Zona Sul do estado é conhecida, por exemplo, pelas monoculturas do arroz, da soja e do fumo, e esse incentivo tem gerado bons resultados. O Centro de Apoio e Produção de Agroecologia (CAPA) tem desenvolvido essa ideia com produtores rurais de Pelotas e região, para isso criou a Assistência Técnica de Extensão Rural (Ater). O projeto começou a gerar ainda mais frutos no mês de maio.

Na terça-feira (18), aconteceu a inauguração da Feira Ecológica Terra Limpa, composta por 20 famílias de Pelotas e região que, assessoradas pelo CAPA, iniciaram a produção de alimentos orgânicos e sustentáveis. Muitos desses agricultores mantinham a cultura do tabaco como principal renda e agora veem como uma nova opção a policultura.
A feira, que deve ocorrer todas as terças-feiras, das 14h às 19h, na rua Guilherme Wetzel, esquina com a avenida Fernando Osório, apresentou uma gama de variedades de produtos para os consumidores. Cenoura, batata doce, pimentão, cebola, beterraba, abóbora e couve, são apenas alguns exemplos do que é oferecido, além de panificados, sucos e chás, todos inteiramente produzidos pelas famílias.

Segundo o engenheiro agrônomo e coordenador técnico da feira, Fábio Mayer, o objetivo do CAPA é mostrar para os consumidores a riqueza da região, na qual é possível produzir diversas culturas. Além disso, mostrar que não é preciso gastar muito para ter uma alimentação saudável. “É um tabu que a gente tem que quebrar de que o alimento ecológico é mais caro. Aqui ele está ao alcance da população de todas as rendas. Um dos conceitos da agroecologia é isso, ser viável economicamente para quem produz, mas também ser um produto social”.

O produtor rural Marlon Anarelli estava empolgado com o primeiro dia de vendas. Segundo ele, o intuito não é apenas econômico, mas sim pensando na saúde da população, e não escondeu a ansiedade: “Há uma grande expectativa quanto às próximas feiras, estamos trabalhando com muito carinho, procurando trazer um alimento sadio, puro e de qualidade”.

No sábado (29), o CAPA inaugurou mais uma feira, essa voltada à produção agroecológica das famílias quilombolas. São dez agricultores da região que comercializaram seus produtos, alguns da própria cultura quilombola, ao lado da Secretaria de Cultura de Pelotas. Também haverá exposição de artesanatos.

Os alimentos orgânicos são cultivados de maneira sustentável na agricultura orgânica ou biológica, e são livres de adubos químicos, do emprego de transgênicos e agrotóxicos, oferecendo produtos mais saudáveis e com menos impactos ao meio ambiente.

43 anos da organização
Ainda na terça-feira (18), o CAPA comemorou 43 anos de história. Atualmente, a organização atua em cerca de 100 municípios dos estados da região Sul, promovendo e incentivando a agricultura ecológica com bases em compromissos sociais. O trabalho consiste em assessorar comunidades rurais, quilombolas, famílias indígenas e pescadoras, prestando assistência técnica para produção e comercialização de alimentos orgânicos.

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