Pelotas tem produção de citrus de qualidade

Enoir Schmidt mantém 1,5 mil pés de bergamotas em sua propriedade no Bachini, 7º Distrito de Pelotas. (Foto: Fotos Adilson Cruz)

O inverno chegou e com ele a colheita de uma das frutas mais apreciadas pelos gaúchos, a bergamota. Quem nunca sentou no sol para comer uma bergamota num dia frio?! Pois é, e este mercado dos citrus, tanto de laranja quanto de bergamota, vem sendo atendido e com muita qualidade por produtores locais. De acordo com o chefe do escritório municipal da Emater Pelotas, engenheiro agrônomo Rodrigo Prestes, a Emater incentiva e orienta estes empreendedores, muitos deles com vocação para outras frutas, como o pêssego, que geralmente é a atividade principal na propriedade. “A Emater procura fornecer opções para o produtor de diversificação e de ampliação da matriz produtiva na propriedade”, ressaltou.

Segundo ele, os citrus vêm ao encontro do que é planejado, já que não compete com o pêssego, principalmente em mão de obra, porque as colheitas ocorrem em épocas diferentes. “A própria mão de obra da família acaba atendendo as duas culturas e não compromete a atividade principal”, disse. Além disso, a bergamota tem uma boa demanda na região. De olho nesse mercado, a área implantada com a cultura no município de Pelotas chega a 30 hectares em pelo menos 20 unidades produtivas. A expectativa é de que sejam colhidas nesta safra, que está em seu auge, pelo menos 600 toneladas da fruta para consumo in natura.

Da mesma forma, a laranja ocupa hoje uma área de 40 hectares e está presente em 80 unidades produtivas. O rendimento na bergamota, no entanto, é maior e chega a 20 toneladas por hectare. Na laranja, a produtividade é de 15 toneladas por hectare e a expectativa de colheita para este ano é de 600 toneladas, equiparando-se à bergamota. “A gente vê pomares bem implantados e manejados, com produtividades acima da média do Estado e do País”, destacou o agrônomo.

Segundo ele, a assistência técnica buscou aliar a vocação destes produtores para produzir frutas com a questão climática local, pois Pelotas está numa região apta para produzir estas frutíferas, diz. “É uma cultura que acreditamos e trabalhamos para tecnificar e ampliar a área cultivada no município”, ressaltou.

Qualidade da safra está excelente este ano, garante produtor

Quem acreditou na cultura e já iniciou a sua terceira safra consecutiva de bergamotas é o produtor Enoir Schmidt, de 44 anos, com pomares localizados no Bachini, 7º Distrito. No local, ele possui dois hectares implantados com as variedades, por ordem de colheita, Caí (mais precoce), Ponkan (em colheita atualmente) e Pareci (tardia), o que totalizam em torno de 1,5 mil pés. Destes, pelo menos 800 pés são irrigados, o que garante tamanho e qualidade maiores às frutas. A colheita, que começou em 20 de abril pela variedade Caí, se estende por pelo menos seis meses, e dependendo do clima pode se estender até os primeiros dias do mês de outubro.

A mão de obra, um dos principais gargalos da atividade atualmente, é basicamente familiar e além do produtor e da esposa Jaqueline Denzel Schmidt, 37, recebem a ajuda do pai Aldo Kohls Schmidt, de 77 anos, que tem propriedade próxima. Além disso, o avô dá uma força com o cuidado dos netos, Davi, de 8 anos e Miguel, de 1,5 ano. “No pêssego temos 40 dias para colher e depois de quatro dias, a fruta começa a perder a qualidade e a bergamota pode ficar no pé por vários dias e mesmo após colhida mantém a sua qualidade”, garantiu.
O volume maior é da variedade Ponkan, que tem maior demanda pelo mercado e da qual ele espera colher 30 toneladas por hectare até pelo menos 20 de agosto. “O consumidor pede fruta com bom tamanho”, ressaltou.

Casal Enoir e Jaqueline são responsáveis por
boa parte do trabalho na propriedade. (Foto: Adilson Cruz)

A qualidade da fruta, neste ano, está excelente segundo o produtor que já considera esta uma das melhores safras dos últimos tempos. A destinação da fruta em sua grande maioria é a Central de Hortigranjeiros (Ceasa), uma pequena parte é entregue na prefeitura através do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e também em fruteiras, como a Rudi Bonow, onde entrega há nove anos.

“O consumidor tem a mania de preferir o que vem de fora”, diz. Segundo o produtor, entre as grandes vantagens de adquirir o produto local é o tempo de colheita. “A fruta que vem do Vale do Caí, nosso principal concorrente, chega aqui com quatro a cinco dias colhida e a nossa é entregue com horas de colheita”, afirmou.

A propriedade é segundo o técnico, um exemplo de diversificação. Tradicional produtor de pêssego, cultura que ocupa oito hectares da propriedade, ele se dedica ainda à cultura da soja, com 32 hectares entre próprios e arrendados, e é claro ao cultivo dos citros, dois hectares. Schmidt segue à risca as orientações dos técnicos. Ele começou com área pequena por influência do pai, que cultiva a fruta há quase 50 anos, por influência de um cunhado.

Na soja, ele recebe há dois anos, a orientação do técnico terceirizado do Senar, Amauri Gonçalves, da Regenera Agro, que na intenção de reduzir custos e também mão de obra, incentiva o plantio direto na propriedade. “O produtor seja grande ou pequeno não pode ficar com uma cultura só”, ressaltou. Segundo ele, financeiramente se uma cultura não vai bem, a outra acaba cobrindo os custos e ajudando a pagar as contas.

Frutas da região concorrem com produtos do Vale do Caí. (Foto: Adilson Cruz)