
O clima não tem sido muito generoso com a cultura do pêssego. Em um ano, granizo; em outro, estiagem; e nesta safra, o excesso de umidade está entre os fatores que contribuíram para a queda de produção, com expectativa de ser muito semelhante ao ano passado, quando foram colhidas 25 mil toneladas. As condições climáticas adversas influenciam a cultura desde o início do período vegetativo e brotação, o que causou a queda expressiva de frutos, segundo a Emater/RS-Ascar.
O produtor Moisés Teixeira destaca o bom preço de comercialização da safra, obtido através de negociação da Associação dos Produtores de Pêssego de Pelotas e região com o Sindicato das Indústrias de Doces e Conservas Alimentícias de Pelotas (Sindocopel) de R$ 2,50 pelo quilo da fruta tipo 1 (com diâmetro maior que 53 mm) e R$ 2,20 para o tipo 2. “É um preço muito bom em uma safra cheia, mas se torna pequeno pela redução na quantidade de frutas”, salienta.
Teixeira abriu sua propriedade, na Colônia Maciel, na quinta-feira (21), pelo segundo ano consecutivo, para a realização do evento de Abertura Oficial da Colheita do Pêssego 2024. Com pomar com potencial para a produção de 180 a 200 toneladas de frutas, o produtor acredita que consegue chegar a 100 toneladas nesta safra. “Mas isso com o mesmo custo de produção das 200 toneladas”, lamenta.
Segundo o produtor, a variedade Jaspe, que abriu a colheita e representa 15% do pomar, em torno de 1,3 hectare, vem se comportando bem e a produção esperada é de 16 toneladas de um potencial de 30 toneladas. “Este ano, a produção se adiantou em praticamente 15 a 20 dias”, ressalta. Conforme Teixeira, as variedades precoces, que deveriam estar em plena colheita, já não têm mais frutas.
“Algumas frutas de ciclo médio, como o Granada, colhidas na sequência do precoce também já não têm mais, já foi todo colhido”, salienta. Ele acredita que até meados de Natal, a colheita das frutas das principais variedades, que tradicionalmente se estende até a primeira quinzena de janeiro, já tenha encerrado, ficando apenas algumas de ciclo tardio.
O produtor afirma que, a princípio, a estimativa era de uma safra cheia. “Logo no início da floração, no mês de julho, os pomares estavam muito bonitos e foram diminuindo, caindo as flores e os frutos por causa do clima, afetados principalmente pela alta umidade”, diz. Com isso, a expectativa de produção caiu para metade do potencial do pomar. Conforme Teixeira, a maior parte dos produtores está com dificuldades em suas propriedades. Além do pêssego, a família Teixeira aposta ainda no cultivo da uva e agroindústria atual para a produção de vinhos e sucos, a Vinhos Potenza, regularizada em março do ano passado.
O presidente da Associação dos Produtores de Pêssego de Pelotas e região, Adriano Bosembecker, salienta que a safra está se mostrando dentro do que os produtores esperavam, que é uma produção muito parecida com a do ano passado. “Alguns estão colhendo um pouquinho mais, outros menos, e acreditamos que a produção total deva ficar entre 27 a 28 mil toneladas”, garante. Bosembecker diz ainda que a indústria trabalha com uma perspectiva de 20% a 30% melhor, no entanto, o impacto do clima em algumas variedades, com a queda de frutas depois de formadas, vem desfazendo este cenário.
“Infelizmente, vai ser uma safra ruim, na média, com pouca fruta”, lamenta o presidente.
Segundo ele, este é o terceiro ano consecutivo em que o clima prejudica a cultura. “No ano passado, tivemos uma queda grande por causa do granizo; no anterior, pela seca; e este ano, achamos que foi pelo excesso de chuva”, diz. Bosembecker detalha que, inicialmente, não houve prejuízos às plantas, mas a água que ficou no solo, somada à falta de luminosidade em agosto e setembro, prejudicou o desenvolvimento dos frutos. “Foram poucos dias de sol e muitos dias nublados”, sublinha.

Quinzena do pêssego
Nesta sexta-feira (22), às 10h, no Largo Edmar Fetter (Mercado Central), ocorre a abertura da 11ª Quinzena e Feira Municipal do Pêssego, que contará com bancas no Centro e bairros para comercialização da fruta in natura e derivados, diretamente do produtor ao consumidor.
Festa ocorre no domingo
Neste domingo (24), ocorre a Festa Municipal do Pêssego 2024, na Comunidade São Pedro, na localidade de Vila Nova, 7º distrito de Pelotas, com abertura oficial às 13h. Bosembecker ressalta que o evento é um dos pontos altos da safra, sendo a celebração de mais um ano de colheita da fruta, tradicional na região, e um reconhecimento ao trabalho do produtor. A expectativa é de que pelo menos cinco mil pessoas visitem a festa, que contará com a atração das bandas Eccos e Hawaii.
Neste ano, a escolha da corte do pêssego ocorre durante o evento, a exemplo de outras festas de colheitas realizadas na região. As inscrições estão abertas e conta com, pelo menos, 10 candidatas. “O pêssego é uma cultura muito tradicional na região, tanto que a fruta brasileira tipo indústria é praticamente toda colhida aqui”, afirma o presidente. A festa é também uma oportunidade para o produtor demonstrar o seu trabalho de um ano inteiro.



