
Da produção das mudas à colheita, a fumicultura exige grande esforço dos agricultores, pois a mão de obra em todas as etapas é basicamente artesanal, o que ocasiona grande desgaste físico e, principalmente, problemas de postura, como dores lombares, já que a colheita manual demanda que o produtor fique curvado para alcançar as folhas mais baixas. Em plena colheita da safra 2024/2025, os colhedores de tabaco ganharam uma aliada neste ano: uma colhedora desenvolvida por uma pequena indústria, localizada no interior de São Lourenço do Sul.
Sempre de olho nas novidades, a família Knuth, de Pelotas, adquiriu um desses equipamentos já no ano passado na intenção de utilizar nesta safra. O investimento de R$ 120 mil na compra da máquina não foi em vão e a família está muito satisfeita com os resultados obtidos até agora. Em primeiro lugar, o número de pessoas da família que precisava se envolver com a colheita passou de seis para quatro. O trabalho ficou menos árduo porque a máquina possibilita ao colhedor trabalhar sentado e o deslocamento pela lavoura é feito sobre rodas. Além disso, possui uma cobertura que protege dos raios do sol e compartimentos para depositar o fumo colhido, que depois é repassado ao trator e levado até a estufa para a cura. O consumo de gasolina, em torno de 19 litros por estrutura, também é considerado satisfatório pelos produtores, que apontam uma média de um litro por hora de colheita. Com o calor que está fazendo neste verão, a utilização da colhedora foi muito bem-vinda.

Na quarta geração de plantadores de fumo, a família Knuth plantou nesta safra 8,5 hectares de tabaco, o equivalente a 130 mil pés. A expectativa é de colher 1,6 mil arrobas de fumo. A colheita, que se intensifica no mês de fevereiro e se estende até metade do mês de março, ocorre de acordo com o plantio, que foi realizado em três etapas, conta o produtor Erci Knuth, o patriarca da família. Knuth conta que a tradição da família com a cultura do fumo iniciou há 50 anos, em 1975, com os seus pais. “Eles começaram com 25 mil pés de fumo”, afirmou.

Na propriedade de 69,8 hectares, localizada na Colônia São João, 6º Distrito de Pelotas, sempre houve espaço para o plantio de outras culturas, como o morango, aspargo, batata, milho, mas o fumo sempre foi a principal fonte de renda. O filho, Michael Knuth, também se dedica ao transporte do tabaco até as empresas fumageiras, o que melhora ainda mais a renda da família. “O fumo bom ou ruim sempre vende”, diz o produtor, satisfeito também com a valorização do produto, cotado em mais de R$ 300 a arroba. O destino da produção da família são as empresas fumageiras Universal, China Brasil e Marasca, localizadas no centro do Estado.
Na família, com oito integrantes, com exceção da pequena Helena, de três anos, filha de Alisson e Emanuele, todos têm as suas responsabilidades. Quem não ajuda na lavoura, assume os trabalhos domésticos. Na lavoura, envolvidos com a colheita, estão o patriarca, a nora Ereni e os dois netos Alisson e Anderson. O filho Michael está mais envolvido com o transporte de cargas e a esposa de Erci, junto com Emanuele, cuidam do serviço da casa e dos cuidados com a pequena Helena. “Todos trabalhando juntos facilita a vida e o trabalho na pequena propriedade”, garante Knuth.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Agricultores Familiares de Pelotas, Nilson Loeck, destaca o bom exemplo e a dedicação da família Knuth para quem não conhece a lavoura de fumo. “O produtor de fumo não planta porque quer, mas até hoje ninguém ofereceu, nem mesmo os governantes, um substituto ao fumo”, aponta.
Loeck ressalta que a família trabalha em uma pequena área, movimentando a economia não apenas para o produtor, mas também para o município, Estado e país. “Oitenta por cento ou mais do fumo é imposto, não apenas sobre o pé de fumo, mas também no insumo, na mão de obra gerada nas fábricas, nas construções, equipamentos, máquinas, importações e exportações”, sublinha.
“Essa máquina que nós vimos aqui na propriedade não teve interferência da engenharia agrícola oficial, foi feita por um produtor, que sentiu a necessidade e tornou realidade”, ressalta o presidente. Segundo Loeck, a máquina veio melhorar a vida do produtor, que além de ter que colher o fumo sob um sol de quase 40ºC o dia inteiro, o trabalho exige um esforço muscular muito grande. “Imagina como ficam os músculos das pernas, dos braços e das costas de quem colhe?”, questiona.




Pesquisadores da UFPel desenvolveram o projeto de uma máquina autopropelida colhedora de tabaco totalmente mecanizada.
Diferente da apresentada na reportagem o projeto dos pesquisadores não necessita de pessoas recolhendo o fumo, apenas de um operador da máquina.
Os pesquisadores procuram empresas interessadas em fabricar a máquina.