
O evento realizado no domingo (25), nas Vinhas Luciano Nardello Perboni, na Colônia Santa Eulália, localidade da Cascata, em Pelotas marcou a Abertura oficial da Colheita da Uva no município, em sua 16ª edição. A cultura ocupa 22 hectares de parreirais de uvas destinadas à indústria, especialmente a variedade bordô para transformação em sucos e vinhos, e 14,5 hectares de cultivares para mesa, principalmente a Niágara Rosa e Branca. Esta deve ser a melhor safra considerando os últimos cinco anos, tanto em qualidade quanto produtividade, superando mil toneladas em Pelotas, produzidas por 56 produtores.
“O diferencial este ano vem sendo a qualidade e produtividade da fruta, devido às condições climáticas favoráveis”, destaca o chefe do escritório municipal da Emater Pelotas, Rodrigo Prestes, salientando ser uma expectativa inicial devido ainda ser o início da safra. Na última, 2024/2025, foram produzidas 800 toneladas de uvas.
Na propriedade da família Nardello Perboni, o parreiral implantado em 2019 possui 0,85 hectare e 1.978 plantas das variedades Niágara Rosa e Branca e uma pequena parte de Bordô. A intenção de plantar uvas veio como uma tradição de família aliada à descendência italiana, seu pai e tio se dedicam à atividade na Serra Gaúcha, em parreiral cultivado pelo seu avô há 65 anos. A expectativa é de colher em torno de 25 toneladas até o final da safra, no mês de fevereiro. “A que mais vende é a Niágara Rosa, mas para consumo eu particularmente prefiro a Branca”, diz o produtor em relação à fruta de mesa.


A implantação do parreiral, feita com pilares de concreto e arames para a condução das plantas em diferentes espessuras, garantem a segurança e a durabilidade da estrutura, especialmente contra ventanias, muito comuns na região. Segundo Perboni, o investimento foi superior a R$ 75 mil. Só em mudas, que vieram da Serra, foram investidos R$ 20 mil. “Hoje eu não gastaria menos de R$ 150 mil nessa estrutura”, explica. O trabalho de poda e condução do parreiral é feito pelo próprio produtor, que contrata mão de obra apenas para auxiliá-lo na colheita.
A intenção, segundo ele, é implantar um novo parreiral na propriedade, a fim de colocar em prática todo o aprendizado adquirido ao longo destes últimos seis anos. “Eu quero ter outro para fazer corretamente aquilo que eu pequei neste”, afirma. A área ainda deve ser definida pelo produtor, na propriedade de 16 hectares. Ainda de acordo com ele, análise de solo, adubação correta e cobertura verde como aveia, azevém e outras pastagens, são importantes para proteger, manter a umidade e melhorar a produtividade no parreiral. A irrigação também é importante, já que a região possui como característica, longos períodos de estiagem em alguns anos. A uva produzida é comercializada na propriedade e comércios em geral. A colheita é feita de acordo com os pedidos e entregues fresquinhas aos compradores.

Turismo rural complementa a renda na propriedade
Integrante do Caminho do Sol, do roteiro turístico Doces Caminhos Rurais de Pelotas, a propriedade oferece a Casinha Alto do Morro para hospedagem e uma experiência imersiva no dia a dia da vida no campo. Com acomodações para um casal ou família pequena, o local possui casa aconchegante, com quarto, sala, cozinha, lareira no inverno, e tudo o que proporciona uma estadia tranquila. No entorno há ainda local para fogueira, horta com verduras e temperos, criação de ovelhas, galinhas, cavalos, pomar de frutíferas e a possibilidade de realizar uma pequena trilha mato a dentro, além de local para banho, pela proximidade do arroio dos Kaster.
Do alpendre dá para contemplar o pôr do sol, um dos mais bonitos da região, garante o produtor. “São atrativos simples, mas que não perdem em nada para a Serra gaúcha”, diz. Como boas-vindas aos visitantes, o proprietário oferece um café da manhã com pão de casa, geleia e suco de uva, produzidos na propriedade. O item mais famoso é o pão feito por sua mãe, Helena Nardello. Localizada a 1,5 quilômetro da BR-392 por estrada de chão e a apenas 25 quilômetros do centro de Pelotas, o acesso se dá após o quilômetro 92, à direita, passando a ponte dos Kasters, no sentido Pelotas-Canguçu.

O parreiral, carro-chefe da propriedade, deve virar futuramente mais um elemento de contemplação para o turismo rural. Aproveitando o relevo de serra, o projeto é construir uma casa temática, no alto, em que as parreiras possam ser vistas de cima e os aromas das uvas maduras que se espalham pelo ar apreciados pelos visitantes. Também deve ser lançado o “colha e pague” e piqueniques sob os parreirais, experiência que já é oferecida em algumas propriedades da região e na Serra gaúcha.
“A ideia surgiu durante a pandemia – disponibilizar acomodações existentes na propriedade a visitantes que queriam fugir da agitação das cidades e deu muito certo”, relembrou Perboni. Então resolveu transformar em local de turismo receptivo uma casinha que lhe serviu de moradia, quando adquiriu a propriedade, em 2012. Ele também destaca que a procura é maior no mês de junho e nas férias de julho. Mais informações podem ser obtidas nas redes sociais do empreendimento como o Instagran (@casinha.altodomorro) e também o WhatsApp (53) 98145-1340.
Festa da Vindima
Com o patrocínio do Sicredi e outros apoiadores, a festa da Vindima (colheita da uva) contou com a participação da Prefeitura de Pelotas, Embrapa, Emater, UFPel, Gassetur e Sindicato dos Trabalhadores Agricultores Familiares de Pelotas.
A estrutura foi montada pelo produtor em área próxima ao vinhedo e contou com bancas para a comercialização da fruta, em torno de mil quilos, pisa da uva, gastronomia, oficinas de degustação de vinhos, mateada, produtos coloniais, artesanato, entre outros, das 10h às 20h. A animação ficou por conta do DJ Gabriel Pereira e houve ainda, apresentações do Coral da Sociedade Italiana e grupo Serenna.
A Feira Municipal da Uva ocorre de 4 a 15 de fevereiro, com bancas no Mercado Público e bairros da cidade.
Produção na região
Pelotas é o segundo maior produtor de uvas tipo indústria da região. O maior produtor é Pinheiro Machado, com área de 98 hectares em quatro unidades produtivas e uma produção de 1.029 toneladas de uvas finas. Nas uvas de mesa, Pelotas possui a maior área e consequentemente a maior produção.



