Debates da Conferência rural, abertura do Arte na Rural e leilão de touros no primeiro dia da 99ª Expofeira

Declaração obrigatória deve ser feita até 30 de junho; produtores podem atualizar os dados na internet pelo Produtor Online. (Foto: Luciara Schneid/JTR)

O leilão Brangus Piratini, que abriu as vendas de animais da 99ª Expofeira Pelotas, na noite de segunda-feira (6), registrou faturamento de R$ 902 mil. Foram vendidos 65 animais ao preço médio de R$ 13.876,92. Nos machos Angus PC, foram vendidos seis touros a R$ 15.833,33 e total de R$ 95 mil. No Brangus, a média dos machos ficou em R$ 19.387,10 e a venda de 31 animais. Foram vendidas ainda 28 fêmeas Brangus 38 e 38B, com médias de R$ 7.533,33 e R$ 7.153,85 respectivamente. Somente no Brangus, o faturamento foi de R$ 807 mil e média de R$ 13.677,97 com a venda de 59 animais.

Nesta terça-feira (7), entram em pista, 25 touros de dois anos com Certificado Especial de Identificação e Produção (CEIP) e 30 fêmeas de um ano da Estância da Gruta para a 27ª edição do Leilão Montana. O remate ocorre a partir das 19h, na pista de remates da Associação Rural de Pelotas, com condução da leiloeira Knorr Leilões e transmissão pelo Lance Rural. Antes do leilão, a partir das 16h, ocorre o julgamento da raça, que irá reunir oito trios entre os melhores exemplares do criatório para disputar o título de grande campeão da mostra. A jurada será a subsecretária do Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, Betty Cirne-Lima.

Ao longo da segunda-feira, as atividades do 24º Simpósio de Ovinocultura da Região Sul, deram a largada nos debates da Conferência Rural e inauguraram a nova arena do evento, junto ao pavilhão do Gado Holandês, que conta com duas salas e palestras silenciosas e simultâneas. Na avaliação da presidente da Casa da Ovelha, Gilliany Nessi Mota, o evento foi um sucesso, com a participação de quatro palestrantes que trouxeram temas muito relevantes para a ovinocultura, três deles produtores rurais e um técnico e produtor, de criatórios tradicionais do Estado. “Cada um falou um pouco sobre o seu projeto e o grande tema do dia foi abordado pelo representante da Secretaria da Agricultura, que trouxe as informações sobre as políticas públicas de incentivo à ovinocultura, que precisam chegar aos produtores”, ressalta.

O 24º Simpósio de Ovinocultura da Região Sul, deu a largada nos debates da Conferência Rural e inauguraram a nova arena do evento. (Foto: Luciara Schneid/JTR)

Ela destacou ainda, a palestra do gestor de industrialização, logística e comercialização da Estância Arroio Malo, de Pedras Altas, Gabriel Oliveira, que falou sobre o projeto de carne de qualidade e diferenciada, denominado “a caixinha da felicidade”, por serem animais criados e terminados a pasto, levados ao frigorífico com a mesma origem e média de peso similar. “São animais com garantia de qualidade de carne premium, gourmet”, destacou. Ela também destaca o interesse do público, que se mostrou participativo, buscando interagir em todas as atividades e que elogiou o evento ao final.

Gilliany destacou também a palestra do produtor rural e médico veterinário Ney Ulrich, que tem o projeto Mais Ovinos e falou em números, estatísticas, uma das dificuldades do setor, em quantificar número de rebanho e abates. “Taxa de assinalação, custos de produção de um cordeiro, o porque do preço mais elevado, valor agregado por ser um produto de qualidade, principalmente o produto gaúcho, por ser uma região diferenciada em qualidade de pastagens, solo, clima, que favorecem a ovinocultura”, ressalta.

“O médico veterinário Eduardo Amato falou sobre as ferramentas de seleção na prática, coisas que os produtores podem fazer na propriedade, sozinhos ou com o auxílio dos técnicos, a fim de verificar o desenvolvimento e fazer a seleção dentro do rebanho”, continua Gilliany. Segundo ela, são técnicas bem práticas e visuais, como o auxílio de escala e escore de condição corporal, medidas usadas para verificar o desenvolvimento dos cordeiros, acabamento de gordura, auxiliado posteriormente pelo ultrassom de carcaças.

Ao final, foi feita apresentação pela aluna de Publicidade e Propaganda da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), Rayane Aires, responsável pela identidade visual da Associação de Produtores de Ovinos e Bovinos de Piratini Farroupilha. “A marca irá caracterizar os produtores daquela região que têm tanto ovinos quanto bovinos de qualidade superior”, finaliza.

Gabriel Oliveira conta que o projeto da Estância Arroio Malo iniciou em 2023, com a verticalização da produção de cordeiros. “Falei sobre todas as etapas da criação, custos de produção e industrialização, protocolos dentro da porteira e na indústria, produtos gerados, nichos de mercado, como agregar valor ao cordeiro gaúcho, especialmente aquele criado na fronteira com o Uruguai”, ressaltou. Segundo ele, a valorização inclui o terroir, animais criados 100% a pasto, por o ovino transferir o alimento para o sabor e características organolépticas da carne.

“Nossa região é conhecida por entregar características únicas à carne de cordeiro”, diz. Na sexta geração de ovinocultores, a Estância Arroio Malo, se volta à criação comercial da raça Corriedale, até os anos 90, na exploração da lã e mais recentemente, com foco voltado à genética para a produção de carne. Os abates, de 500 a 600 cordeiros/ano, animais de 120 dias a uma ano, são realizados em três grandes abates, no frigorífico Carneiro Sul, de Sapiranga, e a carne comercializada em todo o Brasil, para restaurantes e boutiques de carne.

As obras ficarão expostas durante toda a Expofeira e podem ser visitadas na terça e quarta-feira (7 e 8), na sexta-feira (10) e no domingo (12), a partir das 16h. (Foto: Luciara Schneid/JTR)

Dez anos do Arte na Rural

O Salão Nobre da Associação Rural de Pelotas ficou lotado, na noite desta segunda-feira, para prestigiar os dez anos do projeto Arte na Rural, a sua idealizadora, a médica e agropecuarista Ana Carolina Issler Ferreira Kessler, e as obras dos artistas participantes, Madu Lopes, Karine Cavalheiro, Gabriel Machado e Mariana Pouey. As obras ficarão expostas durante toda a Expofeira e podem ser visitadas na terça e quarta-feira (7 e 8), na sexta-feira (10) e no domingo (12), a partir das 16h.

Ana Carolina nominou e agradeceu a todos os envolvidos no projeto ao longo destes dez anos e confirmou a 11ª edição, que será comemorativa ao centenário da Expofeira Pelotas, em 2026. “Passaram por aqui artistas da região e até internacionais, de diversas linguagens incluindo pintura, escultura, fotografia, gravura, cerâmica e instalações, além de espetáculos musicais, que foram do erudito ao popular, com corais, recitais de piano, cordas, bandas, grupos de samba, projetos educacionais”, diz. A programação também contemplou literatura, gastronomia, vídeo, dança, e leilões virtuais de arte durante o período da pandemia, ressaltou.

O percurso rendeu ao projeto reconhecimentos como Mérito de Extensão da Universidade Federal de Pelotas e a Medalha Ordem do Mérito da Academia Pelotense de Letras. A noite teve ainda a música erudita da Camerata Sesc Pelotas e o lançamento do livro As aventuras de Lu, a história de Miguel Barros, de autoria de Jorge Braga.