
A Zona Sul do Estado é responsável pela produção anual de quase três mil toneladas de morangos em uma área de 71,96 hectares em 15 municípios. O número de famílias que se dedicam à cultura chega a 505. Pelotas é o maior produtor da região e o segundo do Estado, com área de 43,5 hectares distribuídos em 230 unidades produtivas, que juntas produzem 1,74 mil toneladas da fruta. Em Turuçu, o segundo maior produtor da região, são cultivados 12 hectares em 40 unidades produtivas e a produção gira em torno de 400 toneladas por safra. Os números são do Levantamento Frutícola 2025, realizado em julho pelos técnicos do Escritório Regional da Emater RS-Ascar, sob a coordenação do extensionista Edgar Noremberg, em que são considerados apenas os plantios comerciais.
A safra 2025/2026 chegou com uma agradável surpresa para os produtores, que veem as plantas expressarem todo seu potencial produtivo, com grande número de flores e frutas. A quantidade de frio e o sol na medida certa proporcionam frutos mais vermelhos, doces e em grande quantidade, e esse já é considerado “o melhor início de safra dos últimos tempos”, pelo chefe do Escritório Municipal da Emater Pelotas, engenheiro agrônomo Rodrigo Prestes.
“As condições climáticas foram benéficas para as frutíferas de modo geral, com frio no momento certo e sem grandes variações, aqueles extremos de temperaturas elevadas”, relatou.
Segundo Prestes, a oferta de frutas aumentou na última semana, o que torna necessária a abertura de espaços de comercialização. Anualmente, é realizada a Feira Municipal do Morango, em Pelotas, que possibilita a oferta diretamente dos produtores aos consumidores em bancas no centro e nos bairros. A edição deste ano deverá ter sua data de realização definida até o dia 20 de setembro. Os produtores também se organizam para a Festa Municipal do Morango, que ocorre nos dias 8 e 9 de novembro, no parque Morada do Sol.
Sem maiores preocupações com as doenças fúngicas que vêm respondendo bem aos manejos utilizados, a apreensão dos produtores se volta ao preço, já que com o aumento da oferta a tendência é de queda. De acordo com levantamento semanal da Emater, os preços variaram entre R$ 15,00 e R$ 35,00 por quilo da fruta, dependendo do tamanho e qualidade, na primeira semana de setembro. Com o aumento da oferta, a tendência é que este valor caia.

Família de Pelotas vê sua qualidade de vida transformada pela cultura
Há pelo menos dez anos a família Gonçalves se dedica à produção de morangos na Colônia São João, 6º distrito de Pelotas. Na propriedade, voltada também ao cultivo de tabaco e milho, o trabalho é dividido entre os casais Patrícia e Fernando Gonçalves, que cultivam o morango, e Nelma e Vilson Peil, pais de Patrícia, que se dedicam ao fumo. Mas todos se ajudam, e na hora da colheita, tanto do fumo quanto do morango, os quatro unem esforços e intercalam o trabalho entre uma cultura e outra, já que as duas ocorrem no mesmo período.
Desde que se casaram, há quase 18 anos, Patrícia e Fernando têm o sonho de construir a sua casa, o que está se tornando realidade com a renda obtida com o morango. Em 2024 as vendas foram excelentes e eles esperam repetir o sucesso neste ano e, concluir a sonhada casa, que está em fase de acabamentos. “A quantidade de flores e frutos ainda verdes trazem a perspectiva de uma safra com bastante fruta, cenário que esperamos que se mantenha”, afirmou o produtor.
A colheita na propriedade, onde são cultivadas nove mil plantas em três estufas varia de 600 a 700 gramas por planta. Colhendo desde o início do mês de setembro, a produção dobrou de uma semana para outra, de 90 para 180 quilos. O preço de venda começou em R$ 40 o quilo, mas caiu para R$ 30 na última semana.
A variedade com o maior número de plantas é a San Andreas com seis mil unidades. Outra variedade com 1,5 mil plantas, a Albion, por ser mais doce e vermelha é uma das preferidas do consumidor. Em fase de teste eles possuem a CBC 15, de polpa mais firme, com 700 mudas. Todas são importadas do Chile e um dos mais altos custos da atividade. “Quando necessário, fazemos as nossas próprias mudas, caso haja necessidade de reposição de alguma planta”, disseram.
Eles destacam o trabalho da Emater junto à propriedade, pois além do apoio na comercialização, com a organização das feiras, oferece a assistência técnica para a cultura.

Fruta favorece a diversificação nas pequenas propriedades de Turuçu
Em Turuçu, a safra iniciou com baixa produtividade devido, principalmente, a baixa radiação solar nos meses de julho e agosto. “Essa condição coincidiu com o fenômeno do morango do amor, que gerou uma demanda muito superior ao normal”, explicou o engenheiro agrônomo Ivan Pereira, extensionista da Emater.
Segundo Pereira, isto gerou preços elevados e até mesmo falta de produto no mercado. O preço pago aos agricultores foi em média 20% superior, variando de R$ 25,00 a R$ 35,00. Com o aumento da radiação solar e da temperatura, nas últimas semanas, houve aumento de produtividade e qualidade dos frutos. “A maior oferta resultou em redução do preço que segue por volta de R$ 25”, informou.
A produção de morangos no município é atividade tipicamente de agricultura familiar e que proporciona alternativa de diversificação à propriedade. O sistema de cultivo predominante é no solo, sob túnel baixo. “Neste sistema, são construídos canteiros com mulching plástico onde as mudas, importadas da Argentina, Chile ou Espanha, são transplantadas durante o outono e início do inverno”, explicou. Atualmente, ainda está se consolidando uma nova época de plantio no início da primavera.
Algumas propriedades adotam o sistema de cultivo fora do solo (bancada), especialmente aquelas que buscam o manejo facilitado das plantas, como na aplicação de insumos e principalmente na colheita. Outra vantagem é uma janela de oferta maior para comercialização da fruta. “As áreas de cultivo têm se tornado cada vez mais sustentáveis, especialmente pela redução do uso de agrotóxicos, substituídos por adubação equilibrada e uso de bioinsumos”, disse.
A produção é incentivada através de parceria entre a Prefeitura, Escritório Municipal da Emater e Associação de Produtores de Morango de Turuçu (APMT), o que tem desenvolvido a atividade e consolidado a cultura como um dos pilares da agricultura familiar local. Desde 2017, os produtores que integram a Associação e preenchem os requisitos estabelecidos, têm 30% do valor das mudas pago pela Prefeitura e ainda um ano de carência para o pagamento do valor restante.




