
A produção de ovos com criação de galinhas livres de gaiolas é uma atividade em ascensão em Pelotas e que tem o incentivo da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Rural (SDR), em parceria com instituições como Emater/RS, Embrapa, Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Sebrae e outras.
Segundo o diretor técnico da Secretaria, o engenheiro agrícola Telmo Garcez, até o final deste ano deve entrar em funcionamento o primeiro abatedouro de aves coloniais do município, com capacidade para abater 12 mil aves/dia e instalações em fase final de conclusão, na localidade de Cerrito Alegre, 3º Distrito.
“Depois de dois anos, estas aves de postura devem ser descartadas em abatedouro credenciado”, explica Garcez. Conforme ele, atualmente, estas aves são encaminhadas para estabelecimentos em Santa Catarina ou São Paulo.
Com um investimento de R$ 2 milhões, o empresário Airton Knort pretende viabilizar o abate de toda a produção da região. Além disso, o empresário possui duas granjas avícolas com o total de 360 mil aves e está investindo na construção de outros quatro galpões para aves de corte, chegando à produção de 500 mil aves até o final do ano. “Somente a produção dele e da região já garantem 22 dias de trabalho”, conta Garcez. Além disso, o estabelecimento deve gerar inicialmente, 60 postos de trabalho diretos. No primeiro momento, devem ser abatidas seis mil aves por dia.
Na produção de ovos, Pelotas possui três agroindústrias de entrepostos de aves, as três com inspeção municipal e uma delas com o selo do Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial Familiar, Artesanal e de Pequeno Porte (Susaf), o que permite o comércio dos seus produtos em todo o Rio Grande do Sul.
Tratam-se das agroindústrias Ovos Renascer, de propriedade de Liane Ucker, no Cerrito Alegre, Ovos Princesa do Sul, de Vinícios Carrara, na Estrada Capão do Almoço e Happy Eggs, de Vanessa Semper, na Santa Eulália, que juntas somam 50 mil aves. Segundo o engenheiro agrícola da SDR, a produção de aves de postura livres de gaiola começou em 1999, com projeto iniciado pela Embrapa. “Há muitas oportunidades de crescimento a partir de estruturas existentes na região e desativadas devido ao encerramento das atividades do abatedouro da Cosulati”, ressalta Garcez.
Aliás o projeto trouxe uma luz aos produtores que realizaram altos investimentos nestes galpões, na época, e que foram surpreendidos com o encerramento das atividades pela cooperativa.
Foi o caso do casal Liane Ucker e Éverton Bohmer, da agroindústria Ovos Renascer, que se viram diante de uma dívida de financiamento e buscaram na produção de ovos uma saída para este problema. “Mas não foi fácil”, diz a produtora, sendo a responsável pela primeira iniciativa da região e que precisou esperar nove meses para obter a legalização. A atividade teve início com 200 aves, aumentada gradualmente para 1 mil e chegando, hoje, a 7 mil aves.
Com três anos de atividades, a agroindústria possui produção de 6,5 mil ovos por dia. Além do casal, eles empregam outros três funcionários, que auxiliam no dia a dia do trato com os animais e na classificação dos ovos. O trabalho começa cedo, por volta das 7h15, com alimentação dos animais, limpeza dos galpões e recolhimento dos ovos. De acordo com a produtora, são feitas de três a quatro coletas por dia, sendo a de maior volume pela manhã.

A comercialização é feita em mercados da região e a agroindústria aguarda sua inclusão no Susaf. “Por causa da pandemia e por força de decreto, até fevereiro podemos vender para todo o estado”, conta Liane.
A produtora ressalta que devido ao coronavírus, esta tem sido uma época bem difícil, a fim de equilibrar os custos de produção com as vendas. “Temos os custos com ração, que é comprada fora e, além disso, precisamos adquirir as embalagens (cartelas e caixas), manter as instalações e pagar os funcionários”, explica. Para ela, a maior dificuldade diz respeito ao custo da ração, já que o preço final do ovo não tem acompanhado os constantes reajustes do produto.
Segundo o diretor técnico da SDR, a criação em 2019, de uma rede de cooperação, busca dar suporte a estes produtores. A Rede de Aves Livre de Gaiola da Metade Sul/RS tem a participação da SDR, Emater, Sebrae, Embrapa, UFPel – através do Curso de Mestrado em Desenvolvimento Territorial e Sistemas Agroindustriais e Faculdade de Medicina Veterinária -, Sicredi, Fundo Soberano da Noruega e produtores rurais.
Em 2020, a aprovação da Lei nº 6.847 instituiu a Política Municipal de Criação de Aves Criadas Soltas, Livres de Gaiolas do município de Pelotas. A finalidade é consolidar a cadeia produtiva, o bem-estar dos animais em seu sistema produtivo e novas alternativas à geração de trabalho e renda.




