Agroecologia 2025 reúne iniciativas sustentáveis durante dois dias na Embrapa Cascata

Participaram agricultores e agricultoras, representantes de povos tradicionais, extensionistas, agentes de desenvolvimento, professores, pesquisadores, gestores e estudantes de diferentes níveis, além de adeptos à agroecologia. (Foto: Luciara Schneid/JTR)

Um evento que nasceu como dia de campo, em 2005, se transformou no maior e mais importante momento em que as iniciativas sustentáveis regionais se concentram em um mesmo local durante dois dias. O Agroecologia 2025 foi realizado na quarta (3) e quinta-feira (4), na unidade da Estação Experimental Cascata (EEC), promovido pela Embrapa Clima Temperado, em parceria com a Emater/RS-Ascar, Programa CAPA – FLD, Movimento dos Pequenos Agricultores e UFPel. Participaram agricultores e agricultoras, representantes de povos tradicionais, extensionistas, agentes de desenvolvimento, professores, pesquisadores, gestores e estudantes de diferentes níveis, além de adeptos à agroecologia.

De acordo com um dos coordenadores do evento, José Ernani Schwengber, coordenador da Estação Cascata, ao longo dos anos, o que era apenas um dia de campo com a apresentação das inovações tecnológicas desenvolvidas pela pesquisa, se tornou um espaço para diálogo entre os diversos pilares da agroecologia, econômico, social, ambiental, cultural e também tecnológico, importantes para a construção da agroecologia. “Nessa evolução do nosso dia de campo em agroecologia, nós criamos uma feira, um evento que chamamos de Agroecologia”, explicou.

Segundo ele, foram sendo adicionados novos temas de importância na sociedade, sempre voltado a um tema que se está vivendo no momento. O tema central desta edição foi “Por Justiça Climática e Soberania”. A recente catástrofe ambiental no Rio Grande do Sul – que completou um ano em maio – ainda requer ações preventivas e de reconstrução e o Agroecologia torna-se fundamental para esta reconstrução dos sistemas agroalimentares e promoção da resiliência e justiça climática. Ao longo dos anos, o Agroecologia foi agregando eventos e espaços, que se tornaram paralelos à sua realização.

Entre as novidades deste ano, estão a criação dos espaços de integração, Mulheres e Agroecologia, em parceria com o projeto Pátio do Bem-Viver, dedicado especialmente a temas como a saúde, bem-estar, descanso e fortalecimento comunitário de mulheres rurais e qualidade de vida no campo. A programação também contou com Reunião Extraordinária do Fórum da Agricultura Familiar da Região Sul, em que foram articuladas as principais ações em benefício da mulher rural, durante roda de conversa. “A intenção foi dar visibilidade a este trabalho tão importante desenvolvido pelas mulheres no campo”, ressalta.

Resultados para quem precisa

Os resultados de pesquisa da Embrapa e parceiros foram apresentados em quatro estações distintas, do dia de campo, com foco nas tecnologias de adaptação às mudanças climáticas. Uma apresentou os insumos para a agricultura sustentável, outra os serviços ambientais, sistemas biodiversos de produção e por fim, o espaço da agrosociobiodiversidade, em que os produtores trocam entre si, as sementes produzidas em cada propriedade.

Também ocorreu a 3ª Ciranda Agroecológica, com a participação de mais de 600 estudantes da rede pública de Pelotas e outros municípios da região, que puderam brincar e aprender em espaços com insetos, solos de diferentes cores, fósseis junto com o Serviço Geológico do Brasil, o Portinari no Pampa, projeto da UFPel. 

Ele também menciona a 3ª Mostra Cultural e Artística, 2ª Feira de Sementes Crioulas e a 2ª Exposição de Máquinas para a Agricultura Familiar. “Era preciso criar um espaço para que os agricultores e suas organizações tivessem visibilidade, que conta com mais de 50 expositores, entre agricultores e organizações vendendo e expondo os produtos da agroecologia”, diz. Também participaram, parceiros da Embrapa que produzem mudas das espécies que a Embrapa desenvolve, como o viveiro da Afubra e Frutiplan. 

Schwengber salienta as máquinas desenvolvidas pelos próprios agricultores, que transformam e adaptam para a sua realidade para facilitar o trabalho no dia-a-dia do campo. “Se percebe uma evasão muito grande no campo, principalmente entre os jovens, pela penosidade do trabalho e agroecologia se faz no local”, afirma. Este ano, pela primeira vez, a Stihl participou do evento, com a intenção de ouvir os agricultores e identificar as máquinas que eles precisam para quem sabe se transformar em futuros projetos da empresa.