A importância e os desafios da atividade arrozeira são ressaltados na abertura do XIII CBAI

Evento voltou a ser realizado em Pelotas após dez anos e reúne toda a cadeia produtiva. (Foto: Adilson Cruz/JTR)

A importância econômica da atividade arrozeira e para a segurança alimentar do Brasil e do mundo deu o tom aos discursos durante a Abertura Oficial do 13º Congresso Brasileiro do Arroz Irrigado (CBAI) que, após dez anos, volta a ser realizado em Pelotas. A cerimônia foi realizada na noite de terça-feira (12) com a participação de lideranças setoriais, políticas e das instituições de ensino e pesquisa envolvidas no evento que ocorre até sexta-feira (15), no parque do Sesi. Coube ao presidente da Sociedade Sul-Brasileira de Arroz Irrigado (Sosbai), o pesquisador da Embrapa Clima Temperado André Andres, dar as boas-vindas aos participantes, entre eles, produtores, técnicos e estudantes.

“Este evento, além de reunir pessoas, compartilha ideias, experiências e propostas. O tema ‘Semeando Conhecimento e Alimentando o Brasil’ diz muito sobre a vida daqueles que realizam estudos a longo prazo nos mais diversos campos de conhecimento da nossa agricultura”, ressaltou.

Segundo ele, o Rio Grande do Sul, junto com Santa Catarina, possui mais de 10 mil produtores, que têm o compromisso de buscar produtividade, qualidade e sustentabilidade em suas lavouras. “Temos alguns pilares, que dão sustentação às elevadas produtividades e à produção de mais de 8 milhões de toneladas, entre elas, a pesquisa, que nos dá respostas às nossas dúvidas, seja no desenvolvimento de cultivares mais produtivas e adaptadas à nossa região e as práticas para obter o máximo do potencial produtivo para o qual estas cultivares foram desenvolvidas com qualidade e de forma sustentável”, explicou.

Andres cita, ainda, o ensino, representado no evento pelas universidades e instituições, e a extensão rural, que permite a transferência de tecnologia e leva o conhecimento para a lavoura, transformando o resultado de experimentos em práticas que aumentam a rentabilidade, evitam impactos ambientais e fortalecem a competitividade do setor.

Desafios do setor

O chefe-geral da Embrapa Clima Temperado, Leonardo Dutra, destacou as dificuldades enfrentadas pela lavoura arrozeira, principalmente no que se refere aos preços e às constantes oscilações do mercado. “As condições climáticas têm severamente afetado o país como um todo, mas principalmente o Rio Grande do Sul”, disse.

Para Dutra, as parcerias são a maneira mais eficaz de se solucionar os problemas do setor. “A parceria nos garante que os obstáculos que temos diariamente sejam resolvidos de maneira mais pragmática e assertiva”. Como exemplo, citou o aplicativo “Planejarroz”, desenvolvido pela Embrapa com informações fornecidas pelo Irga, UFSM, INMET e, em breve, a Federarroz.

O presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes, apontou que apesar da mudança de hábitos e queda no consumo per capita, o arroz continua sendo uma referência na alimentação dos brasileiros, mas defendeu uma redução da área plantada como forma de melhorar os preços pagos aos produtores.

“Nós da agricultura e da lavoura arrozeira sempre sofremos as contingências climáticas, de pragas, mercado, enchentes, quem iria imaginar o arroz este ano a R$ 70,00. Temos que ter em mente, que precisamos diminuir a oferta na próxima safra, exportar sempre que possível e esperar que os vizinhos do Mercosul se deem conta que esta autofagia não vai nos levar muito longe”, defendeu.