Marroni volta a governar Pelotas depois de 20 anos

A festa da vitória de Fernando Marroni (PT) e Daniela Brizolara (PSOL) mobilizou milhares de pessoas no largo do Mercado Público no domingo (27). (Foto: Divulgação)

Milhares de pessoas lotaram o largo do Mercado Central de Pelotas, na noite de domingo (27), para festejar o retorno à Prefeitura de um dos políticos mais icônicos da cidade: Fernando Marroni (PT). Exatamente 20 anos depois de deixar o Paço Municipal, Marroni voltará a governar a maior cidade do sul do Estado. A vitória apertada sobre o candidato bolsonarista Marciano Perondi (PL) por apenas 1.263 votos não tirou o brilho da festa, nem diminuiu a animação da militância da Nova Frente Popular.

A coligação formada por PT, PSOL, PCdoB, PV e Rede, aliás, conseguiu reeditar o sucesso de suas versões anteriores ao mobilizar diferentes segmentos da comunidade ao longo da campanha e arrastar para as atividades de rua militantes de todas as gerações, classes sociais e regiões da cidade. Os bandeiraços realizados nos fins de tarde na esquina da rua General Osório com a avenida Bento Gonçalves fizeram lembrar das mobilizações das décadas de 1990 e 2000 concedendo a campanha de Marroni a marca da união entre os partidos de centro-esquerda, reforçados no segundo turno por aliados históricos, como o PSB e o PDT e, até mesmo, por adversários locais, como o MDB e o PSDB.

A unidade entre PT e PSOL, os dois maiores partidos da esquerda brasileira, foi construída em Pelotas na base de muitas e longas conversas, mas se consolidou verdadeiramente através da figura de Daniela Brizolara (PSOL), escolhida como vice-prefeita na chapa de Marroni. Ao longo da campanha, a professora foi ganhando um protagonismo cada vez maior até se transformar em uma referência, que em momento algum pareceu ofuscada pelo brilho do político, que já foi prefeito, deputado federal por três vezes, deputado estadual por um mandato e é um dos principais nomes do PT gaúcho e da política pelotense.

A parceria deu tão certo que o prefeito eleito já assumiu publicamente que o lugar da vice será onde ela quiser. “A Dani vai ter todo o nosso apoio para os seus desejos. Se ela quiser ser secretária de alguma pasta em especial, terá todo o nosso apoio”, garantiu.
“A nossa campanha foi muito bonita, muito alegre e conseguimos nesse processo levar para as pessoas uma mensagem de esperança e de união, para que se possa resolver os problemas da nossa cidade, que são muitos e de muito tempo, mas penso que conseguimos passar essa mensagem de união”, avaliou Marroni.

2025 já começou

Aos 68 anos, Marroni se prepara para sentar novamente na cadeira de prefeito demonstrando a mesma vontade de trabalhar de duas décadas atrás. “É a minha cidade, é meu trabalho. E o que me dediquei lá atrás, vou me dedicar mais, porque tenho mais experiência, mais capacidade de gestão e mais apoio”, declarou.

E foi movido por essa vontade que já na terça-feira (29), Marroni reuniuse com a prefeita Paula Mascarenhas (PSDB) para tratar da transição de governo. A cordialidade exibida entre Paula e Marroni serviu para comprovar na prática as declarações da prefeita de que esta será “a transição mais republicana que a cidade já viu, com toda a transparência e com o compromisso com a cidade”.

Consciente de que janeiro é logo ali, Marroni se diz pronto para dar respostas a curto prazo para problemas urgentes, como preparar a cidade para enfrentar as crises climáticas e garantir vagas para todas as crianças na Educação Infantil.

“Os desafios da cidade são permanentes. Temos o desafio da educação, da saúde, da zeladoria. E temos esse novo desafio, que é a proteção da cidade contra os eventos climáticos, que serão cada vez mais intensos e mais constantes. Então, essa é uma urgência que a cidade tem. De edificar um novo sistema de proteção para que as pessoas não sofram e não percam o seu patrimônio. Com relação às vagas na Educação Infantil, vamos fazer um diagnóstico para ver quantas vagas nós podemos ainda ocupar na nossa própria rede e, imediatamente, buscar na compra de vagas na iniciativa privada”, disse.

Mais do que administrar Pelotas por quatro anos e tentar resolver problemas urgentes e pontuais, o futuro prefeito não esconde que deseja aproveitar o próximo mandato para perseguir uma utopia pessoal, com reflexos diretos na vida da sua terra natal, tornar Pelotas “uma sociedade socialmente justa, ambientalmente sustentável e economicamente possível”.

Como fazer isso? O prefeito responde: “Eu imagino que, para a gente construir a cidade do futuro, nós temos que dar vazão à inteligência que a nossa cidade tem nos mais variados setores, tanto na academia como no setor produtivo, como no setor social. A cidade tem muito acúmulo de conhecimento e nós precisamos transformar isso em inovação de políticas públicas para vencer os desafios”.