O amor pela terra e a busca por memórias: a história de Carlos Moreira e a Estrada de Ferro

Em dezembro do ano passado, movido por um espírito curioso e apaixonado pela história local, Carlos Moreira iniciou uma pesquisa que tocaria em uma das veias mais significativas da história gaúcha: a Estrada de Ferro que liga Rio Grande a Bagé. (Foto: Daniela Alves/JTR)

Nascido em Pelotas, em 1954, Carlos Viana Moreira é um homem de forte vínculo com sua terra. Devoto marido e pai de duas filhas, Moreira carrega, além do amor incondicional pela família, um sentimento profundo pela cidade que foi o berço de seu crescimento e pelas histórias que moldaram sua identidade. Para ele, a conexão com Pelotas e também Pedras Altas – município em que passou boa parte da infância testemunhando o correr dos trilhos da ferrovia por conta da fazenda do avô que ficava próxima do local – vai além das ruas e casas, sendo alimentada pela busca constante por entender e resgatar a memória do lugar que é sua morada.

Em dezembro do ano passado, movido por um espírito curioso e apaixonado pela história local, Moreira, que é formado em Administração, iniciou uma pesquisa que tocaria em uma das veias mais significativas da história gaúcha: a Estrada de Ferro que liga Rio Grande a Bagé, com construção datada de 1862. Conforme o administrador, o trajeto, mesmo possuindo sua veia de fundamentalismo para o desenvolvimento da região, parece estar esquecido ou mesmo negligenciado pelas gerações que se sucedem.

Com o entusiasmo de um historiador e a perseverança de um homem que vê a preservação da memória como um ato de amor a sua terra, Moreira se dedicou a um mergulho no passado, determinado a reunir informações sobre a famosa estrada. Mas o que encontrou foi um vazio. Arquivos escassos, documentos perdidos, e relatos fragmentados. Assim, para ele, a descoberta não foi apenas uma frustração, mas também a revelação de uma lacuna que precisa ser preenchida.

“Fiquei surpreso com a escassez de informações sobre um trecho que é tão vital para a nossa cultura e economia. A Estrada de Ferro é um elo entre as cidades, mas que parece ter sido esquecida como parte do nosso legado”, pontuou.

Moreira afirma que a linha de trem era formada por 16 locomotivas, um vagão imperial, quatro vagões de restaurante, um vagão de primeira classe, 10 vagões de segunda classe, quatro vagões postais e 224 vagões de carga.

Moreira é um homem comum, mas seu esforço em trazer à tona a história de um lugar que integrou os cenários – e os sons – de sua infância, é um exemplo de que as memórias de uma cidade, por mais humildes que pareçam, carregam valor formador, e buscar saber mais sobre elas, é um resgate essencial.