Catedral Metropolitana São Francisco de Paula de Pelotas celebra entrega do novo assoalho restaurado após quase um século

Entrega do novo assoalho reforça a memória cultural de Pelotas e simboliza o vínculo entre fé, história e preservação. (Foto: QZ7 Filmes)

A Catedral Metropolitana São Francisco de Paula, um dos principais símbolos de Pelotas, celebrou na sexta-feira (19), a entrega da obra de restauração do assoalho histórico. O ato contou com solenidade para autoridades e imprensa, seguido de uma missa em ação de graças aberta à comunidade. A intervenção marca uma das etapas mais significativas do projeto de preservação do templo, que é patrimônio estadual e nacional.

O trabalho faz parte do projeto “Etapa final da Cobertura: Restauração da Catedral Metropolitana São Francisco de Paula”, realizado pela Perene Patrimônio Cultural, com financiamento do Pró-Cultura RS, no valor de R$ 2 milhões. A arquiteta Simone Neutzling coordena a execução, que prevê ainda a conclusão da cobertura, a elaboração de projeto de acessibilidade do Salão São José e a restauração das fachadas.

Obra simbólica
A restauração do assoalho envolveu cerca de 30 profissionais e alcançou 690 metros quadrados da nave central. Foram utilizados madeiramentos de grápia e ipê, preservando técnicas tradicionais. Parte do piso original foi reaproveitado diante do altar, marcando o local do antigo altar-mor. Durante as obras, a Catedral permaneceu aberta ao público, o que intensificou a aproximação com a comunidade.

Durante a obra, surgiram importantes achados arqueológicos que revelam versões anteriores da igreja. Na retirada do piso antigo, foram encontrados fragmentos de tijolos e ladrilhos hidráulicos, além de estruturas em alvenaria de tijolos maciços. Para preservar e dar visibilidade foi instalada uma “janela de prospecção” em vidro, permitindo que os visitantes observem parte da base original.

Na retirada do piso antigo, foram encontrados fragmentos de tijolos. (Foto: Lylian Santos/JTR)

A arquiteta responsável destaca o caráter educativo da intervenção. “De todas as etapas que acompanhei, essa é a mais simbólica pelo contato direto com a comunidade. Enquanto celebravam missas, as pessoas viam os trabalhadores atuando, compreendendo a complexidade do processo. Isso fortalece o reconhecimento do patrimônio como algo de todos”, afirmou Simone Neutzling.

Um patrimônio de todos
A secretária de Cultura e arquiteta Carmem Vera Roig ressaltou a relevância coletiva do projeto. “Estou muito feliz de acompanhar mais uma etapa desse trabalho maravilhoso. É um exemplo porque envolve comunidade, técnicos e empresas. Para Pelotas e para a Secretaria de Cultura, é a garantia da memória da nossa história”, disse.

O pároco da Catedral, padre Wilson Fernandes, lembrou a importância espiritual e histórica da entrega. “Aqui está o marco zero da cidade. Como a Carmem disse: O patrimônio é aquilo que a memória escolheu guardar. Setenta e cinco anos depois da instalação original, devolvemos um piso restaurado que poderá chegar a mais 100 anos de uso. É motivo de gratidão a todos que colaboraram”, destacou.

Ele ainda revelou que uma cápsula do tempo foi colocada sob o novo piso, selando um pacto espiritual com a Basílica Santuário de Paula, na Itália, terra natal de São Francisco de Paula.

Trabalho local valorizado
A execução contou com a empresa J.C. Thor Reformas e Restaurações, responsável também por outras etapas da Catedral, como a restauração da Torre Sul. O proprietário, Júlio César Silva, destacou a satisfação em atuar em uma obra de tamanha relevância. “Para mim foi uma realização profissional e pessoal. Somos daqui e ninguém melhor do que nós para cuidar do que é nosso. Trabalhei lado a lado com minha equipe e com meu filho, que hoje também conduz a empresa. Isso tem um valor especial”, afirmou.

A execução contou com a empresa J.C. Thor Reformas e Restaurações. (Foto: Lylian Santos/JTR)

Entre os fiéis presentes, a emoção também foi evidente. A aposentada Terezinha Lemos, 82 anos, frequentadora assídua da Catedral, acompanhou todas as etapas da obra e comemorou o resultado. “Claro que a gente estava esperando por isso há muito tempo. A comunidade ajudou desde o início, cada um de alguma forma. Eu vinha às missas mesmo durante a reforma, acompanhando tudo. Agora estou muito feliz, porque o que a gente quer é isso, ter um lugar para louvar e agradecer”, disse.

Próximas etapas
O projeto de preservação da Catedral, iniciado há mais de 20 anos, prevê a continuidade das obras nos próximos anos. Em 2026, está programada a restauração da cúpula, já com projeto aprovado e em fase de captação de recursos. Para 2027, a previsão é avançar no anexo de acessibilidade do Salão São José, com novas circulações e banheiros adaptados.

Enquanto isso, permanece em andamento a etapa final da cobertura e a qualificação da reserva técnica, com o objetivo de assegurar a durabilidade da estrutura por muitas décadas.