O engajamento de voluntários, doadores e instituições sociais é a principal base do Banco de Alimentos de Pelotas, fundado em 22 de março de 2006. Com 20 anos de atuação, a entidade garante alimento e fortalece a segurança alimentar daqueles que mais precisam. Atualmente, 33 instituições são beneficiadas de forma contínua, alcançando cerca de sete mil pessoas todos os meses.
A presidente da instituição, Sonia Mara Cardoso, aponta que a evolução do Banco está ligada a constantes campanhas para arrecadação de alimentos e distribuição à clientela definida no Estatuto Social, parcerias com órgãos públicos das três esferas, participação em eventos e envolvimento em campanhas como o Trote Solidário e o Sábado Solidário – realizado semanalmente nos mercados -, promovido pelo Sindicato Médico do Estado do Rio Grande do Sul. “Nosso legado está no reconhecimento da população desta cidade de Pelotas, extremamente generosa e que nos acolheu, entendeu nossos objetivos, reconhece e apoia sempre este tipo de movimento social que visa mitigar a fome da população menos favorecida”, afirma.
Mesmo enfrentando desafios como o isolamento social da pandemia e a dificuldade na mobilidade durante as enchentes, a entidade manteve seus serviços. “O nosso voluntariado engajado é figura central e indispensável em nosso objetivo principal. Como nossa sociedade é dinâmica e, nos últimos anos sofreu gravemente, sempre há modificações, seja no grupo de voluntários pessoa física, seja também de pessoa jurídica, sendo que algumas se desfiliam e deixam de entregar alimentos, outras firmam compromisso e passam a entregar-nos alimentos”, conta.
Entre as instituições que recebem os donativos do Banco, estão: a Casa da Criança São Francisco de Paula, a Associação de Apoio a Pessoas com Câncer (Aapecan), o Centro de Reabilitação de Pelotas (Cerenepe), Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), lares de idosos e outras diversas organizações da rede socioassistencial.
Para a Aapecan, o apoio da entidade immédia de 1.140 refeições diárias, entre café da manhã e janta, por mês. Além das refeições, a Associação também auxilia as famílias em situação de vulnerabilidade com kits de alimentos, conforme o acompanhamento do setor social da entidade.

A nutricionista Juceli Sallaberry e a assistente social Marianapacta diretamente a Associação, que oferece uma Siqueira, da Apae, observam um aumento significativo na demanda por alimentos, especialmente em decorrência de fatores econômicos e sociais. “O Banco de Alimentos de Pelotas é, para nós, um projeto social essencial, que possibilita ajudar famílias em situação de vulnerabilidade. Para essas pessoas, representa mais segurança alimentar, alívio nas dificuldades do dia a dia e a certeza de ter acesso a uma alimentação básica”, relatam. A Apae oferece em torno de 720 refeições por mês, com 20 cestas básicas mensais às famílias.
O combate à insegurança alimentar, segundo Sonia, não é tarefa fácil. “Com a escalada sazonal dos preços dos alimentos, citamos períodos de safras e entressafras; e eventos climáticos adversos. A oscilação do número de empresas doadoras, como também na diminuição das quantias de produtos que nos são entregues, e outros […] tudo isso impacta na distribuição e alimentação das instituições”, diz.
Com estatuto registrado nas esferas municipal, estadual e federal, a instituição possui certificação como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), que amplia sua capacidade de participar de programas sociais e convênios, além de acessar recursos voltados à segurança alimentar.
Para o futuro, Mara compartilha a ideia de aumentar o leque de empresas doadoras. “Fazendo isso projetamos qualificar as entidades conveniadas através de orientações diversas”, explica.




