Aapecan inicia ação na zona rural de Pelotas

O pequeno agricultor Gilnei Wieckboldt diante da lavoura de milho perdida. Foto: Divulgação

A ação da Associação de Apoio à Pessoa com Câncer (Aapecan) em prol do usuário da zona rural começou nesta semana no interior de Pelotas. A atividade coordenada na região pela Aapecan Metade Sul – Pelotas, Rio Grande, Bagé e Camaquã – teve início na semana anterior, quando equipe da Unidade Camaquã visitou usuários em propriedades localizadas na Ponte do Sutil, em Dom Feliciano, e na Boa Vista, na divisa dos municípios de Camaquã e Chuvisca.
A iniciativa decorre do contexto em que o usuário cadastrado na entidade está inserido. Além de lutar contra um Câncer durante a pandemia do novo Coronavírus (o que o coloca em grupo de risco), esse contingente se vê afetado diretamente por uma das piores secas da história recente na região.
Pelotas
Horrível”. É assim que Lizete e o marido, Edvino Wieckboldt, qualificam a seca. São mais de seis meses sem chuvas regulares, o que provoca sério transtorno ao casal que vive na distante Colônia Santa Clara, divisa com Turuçu. “Ficamos dois meses sem água”, conta Edvino. O produto só voltou a correr porque junto com vizinhos foi aberta nova cacimba com vertente mais forte. Caso contrário, se dependessem de terceiros ou do poder público, o casal e a comunidade do lugar estavam sem água até agora.
Estamos no último”, afirma Lizete, que luta contra um Câncer no tórax. Edvino completa: “Ninguém vem arrumar a estrada, melhorar o fornecimento de luz, abrir uma cacimba, um açude.” Na propriedade de 42 hectares, no alto da chamada Colônia, em terreno acidentado, a família, no local há três gerações, planta fumo e milho. Com a seca prolongada, nem um nem outro, literalmente, salvou a lavoura. O primeiro teve perdas significativas. O segundo, “ninguém colheu”. “Nem pros bichos”, diz Lizete.
Ineditismo
Na Santa Silvana, na propriedade da família da usuária Vera Wieckboldt, 46 anos, a matricarca Ilma, 67 – 47 deles vividos no local -, é direta quando o assunto é estiagem: “Nunca vi nada igual.” E explica: o feijão não se colheu; quanto às caras sementes de milho, pressentindo a extensão da seca, a família optou por não plantar em sua totalidade. Decisão correta: o que foi semeado não se desenvolveu. Também para evitar prejuízo maior, não foi feito cultivo de alface. Quem fala agora é Vera: “Não fosse o Loas [benefício pago pela Previdência Social a idosos com mais de 65 anos e a pessoas com deficiência – no caso de Vera o filho, Marcelo, de 17 anos] e a aposentadoria da mãe, não sei como estaríamos.”
Os 92 milímetros de chuva que caíram na propriedade de 14 hectares durante três dias no fim de maio pouco amenizaram o quadro que previram difícil antes mesmo da seca se instalar. O conhecimento de quem vive da terra passado de geração a geração na zona rural de Pelotas gerava suspeitas de que a estiagem seria forte. Bingo. Vera, que se recupera de Câncer de pele, e o marido, Gilnei, contam que entre agosto e setembro de 2019 a natureza indicava que se avizinhava longo período sem chuva. “Tinha muita mosca, muito inseto, muita praga”, diz Gilnei. Mais: o morango, carro-chefe da produção familiar, amadureceu antes do previsto. Naquele período, aves e mamíferos de pequeno porte, como preás e raposas, atacavam ferozmente os cultivos. Algo estava fora da ordem. “A gente via que alg uma coisa não estava normal”, afirma Vera.
Aapecan
Equipes da Aapecan continuarão a visitar usuários que vivem na zona rural das regiões onde as 14 unidades da entidade atuam no Estado. Profissionais dos setores de Psicologia e Serviço Social irão às propriedades para saber das necessidades das familias cadastradas. Uma cesta básica e um kit da Avon com boné e filtro solar será doado a cada família visitada. Os benefícios serão concedidos de acordo com levantamento do Serviço Social.

O casal Edvino e Lizete Wieckboldt com o assistente social da Aapecan, Jaime Wetzel, na propriedade da família, na Colônia Santa Clara. Foto: Divulgação

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