Pelotas: Ato marca retorno das aulas na rede municipal de ensino

Ambientes arejados, com distanciamento social, disponibilizando equipamentos de higiene e álcool em gel são extremamente necessários. (Foto: Gustavo Vara)

O retorno das aulas da rede municipal de ensino de Pelotas, que ocorre de maneira híbrida (remoto e virtual), foi oficializado na manhã desta quarta-feira (25), com um ato simbólico na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Maria Helena Vargas, situada no bairro Sítio Floresta. A prefeita Paula Mascarenhas realizou o acolhimento dos estudantes e professores, ao lado do vice-prefeito Idemar Barz, da secretária de Educação e Desporto (Smed) Adriane Silveira, e da equipe diretiva, na porta da instituição de ensino.

Emocionada, a gestora municipal confessou que foi às lágrimas em vários momentos durante a recepção dos alunos ao enxergar o brilho nos olhos dos profissionais da educação que chegavam no local. Ela lembrou que o espaço, que recebeu o nome da escritora pelotense conhecida como Helena do Sul, nunca havia sido usado, já que sua construção foi finalizada em 2020.

“Estamos oficialmente reabrindo as escolas municipais e acolhendo nossas crianças. Escolhemos a Emef Maria Helena Vargas porque é a primeira vez que essa instituição está abrindo as portas para receber seus alunos. Isso é formação, crescimento e educação e é com ela que vamos transformar a nossa cidade. Esse retorno é muito significativo para a vida das famílias e profissionais envolvidos”, afirmou a chefe do Executivo municipal.

Apesar do primeiro dia chuvoso, a felicidade em receber os estudantes, que estavam acompanhados dos seus responsáveis, era grande. A primeira estudante recebida foi a Ana Valentina, seguido pelo Luan, Daniel, Manuela e a Antônia, recepcionados pela prefeita, pelo vice-prefeito e pela secretária de Educação ao lado da diretora da escola, Arita Mendes, e da diretora pedagógica da Smed, Cristiane Quiumento. A ação de acolhimento se estendeu também aos pais, que conversaram com Paula sobre a expectativa do retorno.

O retorno recomendado

No Rio Grande do Sul e no restante do Brasil, entidades como a Associação das Escolas Privadas (Aepei-RS), o Sindicato do Ensino Privado do RS (Sinepe/RS), o Sindicato dos Estabelecimentos de Educação Infantil do RS (Sindicreches) e a União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), além de instituições como a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a Fundação Lemann e a Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) são favoráveis e defendem o retorno das aulas presenciais.

Alguns argumentos, baseados em estudos científicos, de quem defende o retorno do ensino presencial é que as crianças que desenvolvem quadros graves da Covid-19 são minoria, assim como as que morrem por causa do vírus, sobretudo as de menor idade. Um estudo feito em 2020 pela revista médica Lancet, do Reino Unido, analisou 7.780 pacientes com o vírus em 26 países e concluiu que menos de 0,1% das crianças infectadas evoluíram para casos mais graves.

Já a pesquisa do Children’s Hospital of Chicago, dos Estados Unidos, afirma que a pandemia e o isolamento social mostraram que as escolas garantem proteção e atendem necessidades fundamentais das crianças, como o acesso a alimentos, assistência e serviços de saúde mental. A partir de conversas com 32 mil cuidadores, foi possível observar que um terço dos pequenos, cuidados por eles, se sentiram sozinhos depois que a escola na qual estudavam fechou. O estudo mostrou que 30% das crianças ficaram com raiva, deprimidas, solitárias ou estressadas com o fechamento das instituições de ensino.

A desigualdade social e situação de exclusão também pioraram com a pandemia. Um estudo feito pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e pelo Centro de Estudos e Pesquisas em Educação e Ações Comunitárias (Cenpec), a partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad/Covid-19), o afastamento, no estado, de crianças e adolescentes de seis a 17 anos das escolas chegou a 6,2% em 2020, ou seja, mais de 108,1 mil jovens.

Aliado a esse fato, está o relatório do Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para a Infância Cenário da Exclusão Escolar no Brasil, que mostra que, no mesmo ano, mais de cinco milhões de jovens de seis a 17 anos não tinham acesso à educação no país. Desses, mais de 40% eram crianças entre seis e 10 anos. A educação é, assim, uma ferramenta de transformação social.

Vale ressaltar, ainda, que de acordo com uma análise feita pela Vozes da Educação, Fundação Lemann e Fundo Imaginable Futures, a partir de dados sobre o coronavírus da Organização Mundial da Saúde (OMS), países que são considerados modelos na área da educação e que apresentam os melhores resultados no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), como Alemanha, Reino Unido, Dinamarca Suécia, Cingapura e França fecharam seus educandários por menos tempo durante a pandemia; menos de 90 dias. Foram consideradas 21 nações.

Segurança nas escolas municipais

Para um retorno seguro às escolas, as equipes devem manter todos os cuidados, segundo orientações divulgadas pela Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, através do pediatra Victor Nudelman. Ambientes arejados, com distanciamento social, disponibilizando equipamentos de higiene e álcool em gel são extremamente necessários. É isso que foi feito nas Escolas Municipais de Educação Infantil e de Ensino Fundamental de Pelotas.

A volta às aulas de maneira presencial, aliada ao ensino remoto, foi possível graças ao trabalho da Prefeitura, Smed e equipes diretivas das escolas, que se empenharam para promover capacitações de todos os envolvidos no processo educacional, como professores, nutricionistas e profissionais da limpeza dos locais. Os espaços foram adaptados, materiais de proteção e pedagógicos, além de merenda escolar que foram adquiridos e serão distribuídos de maneira segura a todos, já que as escolas da rede pública municipal representam uma fonte de alimentação e segurança a várias crianças.

Enviar comentário

Envie um comentário!
Digite o seu nome