Estudantes da rede municipal de Pelotas criam jogo sobre líder quilombola

Manoel Padeiro é o protagonista do passatempo desenvolvido por estudantes para as aulas de robótica da Emef João da Silva Silveira, no Monte Bonito, zona rural de Pelotas. (Foto: Isabella Barcellos)

O 6º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental João da Silva Silveira, no Monte Bonito (9º Distrito de Pelotas), encontrou uma nova maneira de falar sobre a história local. A partir do livro “Os quilombolas de Manoel Padeiro”, de Duda Keiber, os estudantes criaram um jogo de tabuleiro que recria os caminhos percorridos pelo “zumbi dos pampas” nas aulas de robótica. Utilizando o Lab Maker e o pensamento computacional, a professora de artes Cristiane Vaz guiou o processo de criação e confecção das peças.

“Eu sempre gostei de tecnologia, acho que eu sempre fui criança e nunca deixei de ser criança. Nesse caso, eu misturei a arte com a tecnologia. Acho que isso é uma característica minha”, relata a professora. “Começamos a estudar o livro do Duda Keiber e isso juntou com a criação do Lab Maker na escola, porque até então a gente não tinha material, tudo começou do zero, e tudo junto eu pensei: ‘vamos criar um jogo então, já que a gente não tem muito material’”.

A partir da lógica computacional e de referências do livro, o jogo de tabuleiro foi pensado e confeccionado durante as aulas de robótica, com auxílio de ferramentas de design. A sala foi dividida em grupos, com cada coletivo responsável por uma parte do processo. “A gente teve que recortar todas as cartas do jogo e utilizamos inteligência artificial, foi bem divertido”, contou Mathias Fonseca, um dos alunos participantes do projeto. Além dele, seus colegas Miguel Ferraz e Izabel Freire também relataram o desenvolvimento do jogo, incluindo as dificuldades de trabalhar com o pequeno espaço das cartas e desenvolver habilidades manuais. “Eu acho bom mostrar a história do ‘zumbi dos pampas’ para quem ainda não conhece ele”, afirma Mathias.

A construção de novas narrativas sobre a identidade gaúcha

Anteriormente coordenado pela professora Cleyce Collins, o núcleo é atualmente guiado pela professora Cristiane Couto. As práticas ali trabalhadas, assim como nos outros núcleos em atividade na rede municipal de ensino, são supervisionadas pela Assessoria Pedagógica de Educação para as Relações Étnico Raciais (Erer), que é parte da Secretaria Municipal de Educação (SME).

“No trabalho sobre Manoel Padeiro, por exemplo, apresentei sua trajetória histórica e elaborei uma história em quadrinhos (HQ) destinada aos estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental’, explica a coordenadora do Neabi. “O material contextualiza quem foi Manoel Padeiro e aproxima sua história da realidade da nossa comunidade escolar, estabelecendo um diálogo com a trajetória de Vó Elvira, matriarca do quilombo que dá nome ao Neabi da escola”. Estudantes do 1º ao 9º ano realizam atividades sobre o mesmo tema, mas a partir de diferentes abordagens e estratégias pedagógicas relacionadas à faixa etária. Para Cristiane, trabalhar com o tema é uma grande alegria. “Sinto-me realizada por contribuir para esse importante resgate histórico, possibilitando aos nossos estudantes o fortalecimento do pertencimento, da identidade e da valorização de suas raízes. Também é uma grande alegria contar com uma professora tão competente e sensível como a Cristiane Vaz, que soma conhecimentos e fortalece as ações desenvolvidas pelo NEABI”, afirmou.

Atualmente, a Emef João da Silva Silveira realiza outras atividades interdisciplinares com seus estudantes. Neste mês, com a campanha Julho das Pretas orientada pela Erer, os professores têm se mobilizado para valorizar as mulheres negras que fazem parte da história da escola e do Neabi.

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